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Tentar ganhar a vida a qualquer custo é um enorme risco
O desapego é uma chave fundamental da espiritualidade! O acúmulo, a ganância, o exagero de exterioridades são sempre uma máscara que pretende esconder alguma coisa. Maquiam a realidade! O resultado é o império da superficialidade e a promoção do consumo que tem deixado as pessoas as pessoas doentes, dependentes, viciadas, cansadas…
Em um evangelho encontramos Jesus conversando com os discípulos sobre a vida futura. Para isso, ele retoma acontecimentos do passado, como a história de Noé e de Ló e, em seguida, reafirma que “quem procura ganhar a sua vida, vai perdê-la e quem a perde vai conservá-la (Lc 17,26-37). Jesus estava falando da vitória do desapego ou da vitória de quem deixa cair o primado do exagero e da superficialidade. Esse texto bíblico foi responsável pela conversão de São Francisco Xavier, o futuro jesuíta missionário.
Para a espiritualidade de Jesus trata-se de soltar tudo, esvaziar-se de tudo, fazer-se simples, humanizar-se de tal maneira que se consiga reconhecer no outro, um irmão; na terra, uma irmã; em toda vida, uma conexão profunda.
Quando a intenção é acumular, o outro é um adversário, a terra é um instrumento de lucro, e assim por diante!
É aqui a chave do “ganhar é perder”! Pensemos também nos acúmulos interiores, relações mal vividas, perdões dispensados, amizades traídas, raiva, ira, impaciência. Isso tudo fica guardado em alguma parte do que somos e é também aqui que Jesus ajuda a configurar o amor: largar o que sobrecarrega, deixar desmoronar os pesos, perdoar, reconciliar, acalmar, respirar, rezar… viver bem para experimentar aquilo que Georges Bernanos escreveu: “descobrir a revelação do cotidiano, a epifania contida em cada instante”.