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O fascínio da idolatria
Tudo nasce da incapacidade de confiar sobretudo em Deus, de voltar a colocar as nossas seguranças n’Ele, de deixar que Ele confira verdadeira profundidade aos desejos do nosso coração. Isto permite sustentar até a debilidade, a incerteza e a precariedade. A referência a Deus fortalece-nos na debilidade, na incerteza e até na precariedade. Sem primado de Deus caímos facilmente na idolatria e contentamo-nos com garantias míseras.
Mas esta é uma tentação que nós lemos sempre na Bíblia. E pensai bem nisto: para Deus, não foi muito difícil libertar o povo do Egito; fê-lo com sinais de poder, de amor. Mas a grande obra de Deus foi tirar o Egito do coração do povo, ou seja, tirar a idolatria do coração do povo. E Deus ainda continua a agir para a tirar dos nossos corações. Esta é a grande obra de Deus: tirar “aquele Egito” que nós temos dentro, que é o fascínio da idolatria.
Quando se acolhe o Deus de Jesus Cristo, que de rico se fez pobre por nós (2 Cor 8,9), descobre-se então que reconhecer a própria fraqueza não é a desgraça da vida humana, mas a condição para se abrir Àquele que é verdadeiramente forte. Assim, a salvação de Deus entra pela porta da debilidade (2 Cor 12,10); é em virtude da própria insuficiência que o homem se abre à paternidade de Deus. A liberdade do homem nasce do deixar que o verdadeiro Deus seja o único Senhor. E isto permite aceitar a própria fragilidade e rejeitar os ídolos do nosso coração.
Nós, cristãos, dirigimos o olhar para Cristo Crucificado (cf. Jo 19,37), que é frágil, desprezado e despojado de qualquer posse. Mas é n’Ele que se revela o rosto do Deus verdadeiro, a glória do amor, e não a do engano cintilante. Isaías diz: «Fomos curados graças às suas chagas» (53,5). Fomos sarados precisamente pela fraqueza de um homem que era Deus, pelas suas feridas. E a partir das nossas debilidades podemos abrir-nos à salvação de Deus.