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Continuar a missão de Jesus é assumir o seu jeito de ser
O Evangelho da liturgia, deste 15º domingo do Tempo Comum, traz o envio dos discípulos para irem dois a dois, conforme o costume judaico repetido pelos pagãos (Lc 7,88; Jo 1,37). Um apoia o outro, e todos se comprometem com o anúncio e a prática da mensagem de Jesus: “O Reino de Deus está próximo, convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Para a missão, não bastavam discursos e pregações. Atos comunicam mais do que palavras. Por isso, Jesus dá aos seus enviados poder sobre os espíritos imundos, pois portam consigo a presença de Deus, o Espírito Santo, que repele o mal e torna possível a comunhão do ser humano com Deus. O missionário não transmite nada de si, mas de Deus, que o inspira para aquela ação. Jesus lhes deixa algumas instruções práticas para aquele tempo. Não permite que levem algo pelo caminho, a não ser um bastão, para apoio na caminhada e para espantar animais nas estradas. Não podem ter comida, nem bolsa, nem dinheiro, pois o objetivo é caminhar e percorrer os recônditos das redondezas da Galileia. Para isso, ajuda um par de sandálias e uma túnica (duas atrapalham o missionário). O interesse da narrativa é demonstrar a dinâmica itinerante do missionário, que deve estar inquieto para transmitir o Evangelho.
Quando chegar a uma casa e for acolhido, ali deve permanecer. Se não encontrar acolhida nem quiserem ouvir sua mensagem, deve seguir adiante, sacudindo o pó dos pés contra aquela rejeição. Somos escolhidos em meio às nossas tarefas ordinárias, enfrentamos adversidades em relação a pessoas e situações, e somos fortalecidos pelo Senhor para continuarmos nossa vocação específica. Deus, que nos chama, capacita-nos para seguir adiante. A Palavra do Senhor nos é dirigida constantemente para transmiti-la com alegria aos demais. Somos profetas do Senhor no mundo contemporâneo.
Por fim, o conteúdo do anúncio dos discípulos deve ser o mesmo do de Jesus: a conversão por causa do Reino de Deus (Mc 1,15). Os que continuam a missão de Jesus assumem seu jeito de ser. Desse modo, tornam Deus presente por meio das suas ações, expulsando os demônios e curando os enfermos.
O envio e as instruções do Evangelho proclamado são os mesmos para os nossos tempos. As condições para a missão e o contexto sociocultural são diferentes, porém a recomendação da primazia da Palavra de Deus e as atitudes que acompanham a pregação servem de princípios para todas as atividades missionárias (Vida Pastoral, Paulus, n. 358).