Artigos
Jesus pede que “cortemos mão, pé e arranquemos o olho”
No capítulo 9 do evangelho de Marcos encontramos uns aconselhamentos de Jesus, que é Deus, ditos de forma muito estranhas, tanto que infeliz será aquele que os entender de um modo fundamentalista, sem procurar a interpretação dada pela Igreja. É até bom que coloquemos o texto ao qual nos referimos, antes de continuarmos:
“Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos,
do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, ‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga'” (Mc 9,43–48).
De início, Ele nos diz que é preciso fazer essa escolha entre a Vida ou o inferno.
Acontece que escolher a Vida exige sacrifícios e renúncias, que nem todos estão dispostos a fazer. A questão é que tanta gente entra em caminhos contrários às normas divinas, procurando saborear a vida terrena da melhor maneira que conseguir, e por isso acaba perdendo a principal Vida, que não é a terrena, mas aquela que Deus promete a quem se dispõe a seguir seu Filho Salvador, ou seja, anseia por uma Vida eterna e feliz.
Em outra passagem, Ele questiona: ” “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me! Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; mas quem perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará. De fato, que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida?” (Mc 8,34–36).
O olho pode levar a pessoa a cobiçar o que não deve; todos os tipos de cobiça: bens alheios, adultérios, ganâncias, sem se importar se são atos criminosos. Arrancar o olho significa abominar esse pecado da cobiça.
A mão pode se apropriar do que é proibido, através de direitos desrespeitados, explorações inescrupulosas e indevidas. Cortar a mão é renunciar a quaisquer apropriações indébitas, sobretudo as que ferem Direitos Humanos e a Justiça.
O pé procura levar a pessoa a escolher caminhos pecaminosos, prazeres mundanos e efêmeros, e relacionamentos contrários a mandamentos, quando ela se torna seu próprio deus, sendo ela mesmo quem decida o que é certo e o que é errado, para se justificar.
Às vezes o confessor se sente por consciência obrigado a negar a absolvição a quem a pede porque, ao confessar seu pecado, demonstra que ainda não quer sair dele.