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Fernando “Pessoas”
” Tudo vale a pena se a alma não é pequena “.
Tenho certeza que todo mundo, alguma vez na vida já leu, escutou ou ouviu falar dessa emblemática frase, escrita por Fernando Pessoa, em seu poema Mar Salgado.
Mas o que talvez poucos saibam, é que Fernando Pessoa, escreveu apenas um livro em toda sua vida, denominado Mensagem.
Mas como assim, só um livro? É que ele como ele mesmo, só assinou uma única grande obra, e alguns opúsculos (pequenos livros) de poesia; enquanto suas outras “pessoas”, compunham simultaneamente.
É incrível a capacidade desse autor, em se multiplicar em tantos; com nomes, personalidades, endereços, vidas e biografias diferentes.
Ele com seus heterônimos, conseguiu ser vários em um: Ricardo Reis, Alberto Caieiro, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, são os mais conhecidos; mas ainda existe uma extensa lista, onde assina até como Maria José, uma jovem de 19 anos, corcunda, com tuberculose, e um sério problema nas pernas. Pessoa tinha mesmo uma mente muito fértil!
Parece loucura de poeta, mas será que na verdade todos nós também não convivemos com nossos próprios heterônimos, e simplesmente escolhemos deixar vir à tona, o que seja mais conveniente?
Acredito que ninguém é o mesmo o tempo todo…
Ora gostamos de uma coisa, ora de outra, ora gostamos de todas ao mesmo tempo, mas a sociedade não nos permite expor tais mudanças.
Quantos artistas camuflados em termos e jalecos… Quantos bandidos em pele de mocinho, quantos mocinhos que prefeririam ser vilões…
A “loucura ” do poeta português, nada mais foi que apenas coragem de assumir o mais comum entre todos os seres humanos: serem humanos!
E ser humano, significa ser inconstante, ser incompleto, ser singular e plural ao mesmo tempo, ser luz e escuridão, ser água e fogo, ser e sentir tudo ao mesmo tempo.
Quais são suas pessoas? A vida é muito intensa para sermos apenas um! Além do mais, tudo vale a pena se a alma não é pequena!
Erika Borges – Escritora, Professora de Língua Portuguesa e Mediadora de Biblioterapia