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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Obesidade infantil: como os pais podem tratar o problema?

Há um aumento muito sério nos casos de obesidade infantil, que está relacionada principalmente ao padrão de alimentação desenvolvido já na fase neo-natal, como por exemplo, o tipo de alimento introduzido, se foi aleitamento materno exclusivo até os seis meses, se houve introdução de fórmulas, consumo de açúcar antes dos dois anos de idade, o que não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, entre outros fatores.
Se a criança foi submetida desde cedo a alimentos industrializados, isso com certeza impacta no desenvolvimento do organismo e na modulação hormonal que esse paciente vai desenvolver.
Uma alimentação muito rica em carboidratos de alto índice glicêmico como farináceos e açúcar, por exemplo, faz com que o paciente, ainda criança, atinja picos de insulina em seu pâncreas, o que acarreta um depósito de gordura visceral. Associado ao sedentarismo, cada vez mais comum na infância, é sem dúvida uma condição que favorece o quadro de obesidade infantil.
As crianças não praticam mais as mesmas atividades da nossa geração, trocaram as brincadeiras na rua por eletrônicos e passam cada vez mais tempo dentro de casa, sem gastar energia.
Por mais difícil que seja admitir isso, o problema da obesidade infantil começa com os pais, pois a criança não vai ao supermercado comprar o que come, ela não tem o poder de escolha, esse padrão de alimentação vem dos adultos. Eles são quem introduzem uma alimentação errada e que possuem hábitos nada saudáveis, fazendo com que a criança desenvolva a obesidade.
Existe uma curva de peso e altura que o paciente desenvolve até os 14 anos de idade. Por meio dessa curva, é possível saber o percentual de crescimento e de peso, se está dentro do esperado ou se ultrapassou, se a criança está nutrida, desnutrida ou se está obesa.
A base de qualquer tratamento contra a obesidade é a mudança do estilo de vida, seja criança ou adulto, portanto temos que melhorar o tripé do metabolismo, que envolve a qualidade do sono, alimentação, priorizando comida de verdade, rica em saladas, frutas, carnes boas e evitando industrializados, e por último, a atividade física que deve ser diária.
Todos os dias a criança precisa fazer alguma coisa, como natação, andar de bicicleta, jogar bola, correr, pois são atividades que melhoram a interação social e o desenvolvimento orgânico.
Quando os pais perceberem que o psicológico da criança está abalado pela possibilidade de um quadro de obesidade infantil, é preciso procurar ajuda profissional. Existem vários psicólogos voltados a questão da obesidade e é importante buscar um tratamento adequado para evitar distúrbios como transtornos de ansiedade, depressão, pânico, que consequentemente podem piorar o ganho de peso.
Observando esses fatores, é possível garantir que a criança se desenvolva de forma mais saudável, dentro de um peso adequado e com muito mais saúde para seguir na vida adulta.

 

Dr. Jorge Rezeck
Médico no Hospital São Jorge
e Clínica Unique. Membro titular
da Sociedade Brasileira de
Clínica Médica.

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