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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Barretos e sua população flutuante

Caros leitores,
Para começar, é tradição de Barretos possuir uma população flutuante, ou seja, transitória, desde o final do século XIX, sendo um júbilo homenageá-la. Esse tipo de população se intensificou e diversificou no decorrer do tempo, além de se cruzarem em certas épocas: peões de comitivas, invernistas/pecuaristas, mascates, ambulantes, universitários, enfermos e acompanhantes, médicos, enfermeiros e os turistas. Ela, ao lado da população local, ajudou a construir nossa história e, movimenta até hoje, a economia da terra dos Barreto e dos Marques.
Conta a história que o primeiro grande impulso ocorreu por volta de 1870, com o advento de uma grande geada, que em certas narrativas a chamam de “fogo bravo”, ao devastar a imensa mata fechada. No lugar surgiram vastas pastagens, um marco histórico para o Arraial dos Barreto. A partir daí os invernistas, principalmente, do centro-oeste brasileiro, foram atraídos pelas pastagens para a engorda de seu gado. Depois surgiram os matadouros e o primeiro frigorífico do Brasil, a Companhia Frigorífica Agropastoril, do Conselheiro Antonio Prado, posteriormente vendido ao Frigorífico Anglo, de origem inglesa. Os peões conduziam as boiadas pelo sertão brasileiro, ao som do berrante, até nossa cidade, para a engorda ou matança do gado.
Era uma festa, os invernistas e os peões com as guaiacas cheias de dinheiro faziam girar o comércio barretense, à época, do sexo. Deram fama à Zona do Meretrício de Barretos, momentos de luxúria, ao frequentarem os lupanares e cabarés no entorno. Com o passar do tempo, já no final da década de 1950 e início da de 60, com o progresso e asfalto nas estradas, as comitivas foram substituídas pelos ‘caminhões boiadeiros’, que transportavam uma boiada, conduzidos apenas pelo motorista. Diante disso, o fluxo de peões e comitivas foram diminuindo gradativamente até desaparecerem.
No entanto, em meados dos anos 60, o prefeito João Batista da Rocha trouxe para nossa cidade o primeiro Curso Superior, com a implantação da FEB – Fundação Educacional de Barretos, hoje UNIFEB, no bairro Aeroporto. Com isso atraiu estudantes de várias partes do Brasil, que passaram a residir em dezenas de ‘Repúblicas’, moradias divididas apenas por estudantes, algumas com nomes engraçados e outras com duplo sentido. Eles permaneciam na cidade durante os dias úteis e nos finais de semana, voltavam para suas cidades de origem. Ao longo dos anos novos cursos foram introduzidos, fascinando cada vez mais os estudantes. Hoje temos, também, a FACISB – Faculdade das Ciências da Saúde de Barretos “Dr. Paulo Prata”, com centenas de universitários residindo temporariamente na cidade e a Faculdade Barretos, que por se tratar de um curso noturno, os alunos provenientes das cidades da região, permanecem por apenas quatro horas no campus da faculdade, retornando em seguida à sua cidade.
Entre 1945 e a década de 70, aconteciam, anualmente, a Exposição de Gado e Produtos Derivados de Barretos, no Recinto “Paulo de Lima Corrêa”, com as participações de pecuaristas de várias partes do país, gerando um grande volume de negócios.
Outro grande impulsionador, na atualidade, da população flutuante é Hospital do Amor da Fundação Pio XII, administrada pelo dinâmico e eficiente Henrique Prata, que recebe, diariamente, centenas de pacientes de várias partes do Brasil para tratamento oncológico, os quais vêm acompanhados de familiares. Além disso, há um grande movimento de médicos e enfermeiros, vindos de outras cidades, para exercerem a profissão neste “Chão Preto”. E, com isso, houve uma rápida urbanização do bairro Paulo Prata e adjacências, com instalações de pousadas, alojamentos, condomínios e casas de apoio, além de surgimento do comércio, como: restaurantes, padarias, lanchonetes, farmácias, e outros tipos, além da presença de ambulantes.
Ao passo que, a Festa do Peão de Boiadeiro, promovida pelo Clube “Os Independentes”, que teve seu início em 1956, no Recinto, em quatro dias, com montarias e noitadas folclóricas, atraiam milhares de turistas, além de proporcionar uma grande feira na avenida 23, denominada ‘vietnã’, constituída de ambulantes, que vendiam desde guloseimas e churrasquinho grego até utensílios domésticos. A partir de 1985 a Festa mudou-se para o Parque do Perão, distante cerca de cinco quilômetros da cidade. Hoje o Parque , nos onze dias de festa, abre as portas para cerca de um milhão de turistas, que assistem aos rodeios em touros e cavalos e espetáculos musicais do mundo sertanejo e country, entre outras atrações. Eles movimentam a cidade, ao se hospedarem em hotéis, chácaras, casas e lotam os restaurantes e lanchonetes.
A convivência entre a população local e a flutuante tende a se acentuar, pois o nosso povo é cordial.
E assim caminha a Estância Turística de Barretos. Parabéns pelos seus 168 anos!

 

José Antonio Merenda
Escritor, historiador
e membro da ABC – Academia
Barretense de Cultura – Cadeira nº 29

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