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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Um olhar, mil palavras

Você já observou que existem pessoas as quais possuem respostas para tudo, não importa o tempo, hora, lugar, circunstância, sempre têm respostas pontuais que fazem o outro refletir, pois enquanto ela vê uma solução em palavras, para tudo, o outro necessita do silêncio para contemplar e meditar o que escutara.
Ninguém é igual no mundo e até mesmo o modo reflexivo não o é. Por assim ser, há pessoas que se expressam no silêncio, observam tudo, não trocam palavras, longas reflexões ou mesmo opiniões para não se ferir e menos ainda ferir o outro. Desse modo, o silêncio pode ser uma resposta, mesmo que esta não seja a esperada em determinadas situações, mas acaba por sê-la.
O silêncio, ainda que contemplativo, não deve ser uma máxima permanente e constante, haja vista que para ocorrer diálogo faz-se necessário que ambos participem da conversa, do contrário, tem-se um monólogo, no qual apenas um possui voz, vez e razão, passando o outro a estar sempre errado, pois como dizem “quem cala consente”. Não que isso seja uma verdade, mas há certa razão nessa máxima dado que sem a voz ‘ouvida’ não se tem uma resposta, e, pelo sim ou pelo não, a última palavra dita é o que permanece.
Talvez entrar na mesma sintonia seja um empecilho para muitas pessoas. Cada pessoa é única e possui seu modo de viver, pensar e agir. Mas ao observar com profundidade, vê-se que o olhar é capaz de falar mais que mil palavras, pois ele expressa o que há no coração e também transmite sentimentos.
Ao contemplar o céu, suas cores e nuvens que formam desenhos do mesmo modo que os sentimentos são embalados pelo pensamento, singularmente os olhares pela contemplação e, assim, sem usar palavras, sorri-se com os olhos. Em um diálogo, o olhar e o entre olhar fala como a linguagem vocal, mas muito mais, expressando os sentimentos.
É através do olhar que se lê a alma de outrem, de modo que não são necessárias palavras para compreender os sentimentos alheios. Pois, quando as palavras se calam, os olhos é que falam em seu lugar.
Não importa se são usadas ou não palavras, todos devem ser sensíveis aos sentimentos, quer sejam os seus ou não. Mas não se deve esquecer que diante de um questionamento, exige-se uma resposta, seja essa falada ou expressa por meio do olhar.

 

Padre Flávio Aparecido Pereira
Vigário Paroquial na
Catedral do Divino
Espírito Santo

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