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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Medicina de Barretos e o risco de prejuízo no longo prazo

Multiplicam-se artigos sérios sobre atual situação da Medicina brasileira, refletida por mudanças na qualidade de formação profissional, escassíssimos ambientes técnico-científicos e ausência de Ética na sua prática.
Análises de autores estrangeiros, como a médica americana articulista do New York Times, Prof. Danielle Ofri e de experimentados médicos brasileiros como Carlos R Schwartsmann, Prof. Universitário, em artigo recente intitulado “Medíocres e Desempregados”, publicado no Jornal Sul, Coluna C de Porto Alegre, edição de 20 de maio de 2022.
Na mesma linha, médico renomado Dr. Flávio Jose Kanter, intitulado “A invasão da Medicina”, mostra na linha do tempo, como a Medicina se mercantilizou numa modalidade chamada de medicina negocial.
O fundo do poço do ensino médico no Brasil, resumido no absurdo de + de 350 faculdades de medicina e a inexistência de corpo de professores e mestres suficientes, dão origem a “fornalhas” de inocentes e iludidos colegas médicos do amanhã, ainda não acontecendo de a população e dos próprios colegas se conscientizarem da grave realidade.
Como pode uma cidade paulista, da tradição de Barretos, que já teve gabaritado atendimento ambulatorial e hospitalar, ficar submetida a uma política exploradora de saúde, com setor público “amarrado” por um monopólio, livre e solto, diante da conivência das autoridades.
Pior ainda: protegidos por uma Prefeitura já com o pior desempenho administrativo e político da história da cidade. É uma pergunta com exclamação.
No passado, sempre houve agregação de médicos e cirurgiões que vieram incrementar com inovação e qualidade. Nos dias de hoje, prevalece uso da rede pública com interesse financeiro, mantendo um hospital que era modelar, como a Santa Casa, de 350 leitos, degradada a 200 leitos, irresponsavelmente mantidos, mesmo sob o risco de eclosões epidêmicas que são imprevisíveis e possíveis.
Assusta a precariedade das instalações e do funcionamento do hospital motivando um detalhe chamativo: a dificuldade de se deixar qualquer cidadão adentrar ao hospital para visitar um parente ou um amigo. Ao ser rechaçado na porta o visitante, é nítida a postura de procurar “esconder” uma realidade física e funcional do hospital, com gestão que é totalmente avessa aos costumes de visitas a pacientes. Jocoso, ao se considerar o marketing de Amor…
Por conta disso (e de múltiplas outras razões) há uma contínua evasão de bons profissionais que sempre atuaram aqui, gerada por essa famigerada gestão monopolista, não garantidora de carreira e totalmente antipática a uma respeitada classe.
Efeito imediato e fato já ocorrendo: colegas preparados, experientes e gabaritados, estão fugindo de aqui virem viver, trabalhar e fazer carreira por saberem exatamente em mãos de quem teriam que ficar submetidos.
Piorando a perspectiva futura é que enquanto estiver essa gestão ocupando a Santa Casa de Barretos, seguramente, 99 por cento dos médicos e cirurgiões tradicionais e consagrados não têm ou terão motivação, vontade e tolerância de trabalharem sob tão desfigurado modelo de exercer uma delicada e espinhosa missão profissional como é a (boa) Medicina.
Sem qualquer presunção e sem o mínimo traço de arrogância, pode se dizer todos esses colegas estão trabalhando na região ou em hospital alternativo da cidade, felizes pessoalmente e tristes pela Santa Casa e clientela mais carente (SUS).
Em suma: uma situação atual ruim e um futuro preocupante.
Feitos o diagnóstico e o prognóstico fica a sugestão de solução: simplesmente ESTADUALIZAR A SANTA CASA, como pauta essencial aos mais de 15 candidatos a Deputados da cidade. É uma forma legitima de premiar nossa cidade ao invés de oferecer migalhas políticas como promessas.
Poder e lei para isso existe e de sobra. Falta vontade e competência.

 

Dr. Fauze José Daher
Gastro-Cirurgião da
Santa Casa de Barretos,
ex-Diretor Clínico da
Santa Casa, ex-Presidente
da APM Regional de Barretos,
ex-Vereador Constituinte e
Advogado

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