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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

O primeiro trem

Caros leitores,
Ansiedade! Olhos arregalados! O povo está em alvoroço! Finalmente, o trem apita na última curva antes da chegada à plataforma da estaçãozinha de Barretos, construída após a demolição da Igreja do Rosário, no bairro ‘Outro Mundo’, hoje Fortaleza.
Muita emoção! Muitas palmas! E as bandas tocam em retreta e trazem alegria aos festejos!
Isso aconteceu no dia 25 de maio de 1909. Uma data marcante para o desenvolvimento de nossa cidade, digna de uma festa de pompa. A estrada de ferro paulista atendia aos interesses dos cafeicultores para escoar suas produções e estava parada em Bebedouro, desde 1902. Em um esforço, de um lado, o prefeito Silvestre de Lima e, de outro, o presidente da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, Conselheiro Antonio Prado, um visionário e empreendedor, trouxe os trilhos a Barretos. A ‘Chicago brasileira’, como ele a denominava, despertou nele um interesse no ramo da pecuária e expansão de seus vastos negócios.
Ao folhear um livro na ABC, doado pela família do dr. Osório Rocha, encontrei, encartado no mesmo, um Convite/Programa original da inauguração da linha da Companhia Paulista de Estrada de Ferro entre Bebedouro e Barretos, impresso em azul e vermelho. O convite à população é repleto de estrangeirismo, isto é, muitas palavras, na época, por não terem tradução em nossa língua, tais como: ‘match’ – jogo, partida; ‘foot-ball’ – futebol; ‘Poule’ – bilhete de apostas.
Para coroar os festejos com êxito pela chegada do primeiro trem, criou-se uma Comissão organizadora, assim constituída: Antonio Viotti, Fausto Lex, Francisco Perroni, Alarico Lex e Adolpho Velozo, além de juízes de provas, dignas de um grande acontecimento. Vários membros da sociedade se empenharam em colaborar: Juízes de Partida – Dr. Leocádio Seixas, Raul de Carvalho, major João Machado de Barros; Juízes de Chegada – dr. Antonio Olympio Rodrigues Vieira, cap. Joaquim Alves de Toledo, major Juvenal Camargo; Juízes de Raia – dr. Toledo Júnior, Enrico Ferreira de Melo, Tte. Francisco de Paula Nogueira; Juízes de Bancada – dr. Arthur Moreira de Almeida, major Melchsedech de C. Roza, cel. Feliciano José de Carvalho; Casa da Poule – cap. André Lex, cap. Joaquim Angelo, Osório Rocha, Emílio Pinto, Francisco Gomes Ferreira, Braulino de Oliveira, Jeronymo Barcellos; Cronometrístas – Norberto Pinto de Oliveira, Boaventura Cavalieri; Comissão Médica – dr. Raymundo Mariano Dias, dr. José de Castro Roza e dr. Pompeu de Andrade; Comissão de extração da tombola (jogo de tabuleiro, semelhante ao bingo) – Enrico Spaletra, Octavio M. de Almeida, cap. José Mchado de Barros Júnior, Joaquim Dias Filho; Comissão de Prêmios – dr. João Batista Martins de Menezes e as senhoras, Honória de Carvalho, Maria de Oliveira e Jenny O. de Moraes.
Na primeira página consta: “Programma das festas populares, organisadas pela Câmara Municipal e o ‘Barretense Foot-ball Club’ – Inauguração do trafego da Linha Paulista de Bebedouro a esta cidade, no dia 25 de Maio de 1909” (sic).
Uma programação extensa. A festa começa com a salva de 21 tiros, hasteamento do Pavilhão Nacional e execução do Hino Brasileiro. Logo após são disputadas várias provas, denominadas ‘páreos’, como: corridas de meninos, de meninas, de rapazes; corrida em sacos; corrida com obstáculo; pulo à distância; pulo em altura; salto com vara; além do Concurso de Robutez Infantil, este dedicado às famílias barretenses. Os páreos são dedicados às colônias síria, italiana e portuguesa; indústria, comércio e à lavoura de Barretos; Loja Maçônica Fraternidade Paulista; mocidade de Barretos; e à imprensa local, além da distribuição de prêmios para os vencedores e sorteios (Tombola). Uma comissão de senhoras distribui bombons às crianças.
Como ponto alto das competições é realizado o jogo de congraçamento entre o ‘Barretense Foot-ball Club’ e o ‘Club Athletico Internacional Bebedourense’(sic).
“Terminada a festa sportiva, do campo de Foot-Ball, os clubs, as bandas de musica e o povo dirigir-se-ão em prestito à estação de estrada de ferro, onde aguardarão a chegada do trem inaugural, que será recebido ao troar de uma bateria de 100 tiros e espoucar de innumeras gyrandolas. Dali incorporados com a comitiva inauguradora, percorrerão as ruas desta cidade, dissolvendo o prestito no Jardim público, onde tocarão em retreta as bandas de musica” (sic).

 

José Antonio Merenda
Historiador e membro da ABC –
Academia Barretense de Cultura –
cadeira nº 29

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