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A Residência Médica e a deformação dessa atividade de qualificação profissional no Brasil.
Não são poucas as citações na literatura médica, de natureza científica ou profissional, da grave deterioração dessa tradicional forma de preparar o médico para a Sociedade, criada na América do Norte em final do século 19, importada para o Brasil em meados do século 20, sendo então considerado o modelo ideal de preparar o médico para atuar junto ao povo.
Quando foi criada a Residência Médica, tinha-se duas condições: formatura básica de alta qualidade, base sólida de conhecimento, estruturas de ensino completas e de alto nível, que possibilitava aos doutores serem apresentados à sociedade com 2 ou 3 anos de Residência.
Conseguiam passar em concursos de Sociedades de Especialidades, tornando-se especialistas nas dezenas de áreas de atuação, garantindo aos pacientes segurança e eficiência no atendimento.
Hoje, fica evidente a necessidade de 4 a 6 anos de Residência para garantir segurança de profissional médico(a) decidir sobre um caso de doença.
Por que?
Parte importante dessas causas decorre da absurda criação de faculdades de medicina, em que 90 por cento não têm condições de oferecer a base para o mínimo exercício da profissão. Então, está aí uma causa importante: mais da metade de formados, mesmo com o número de CRM atribuído, saem das faculdades sem condição mínima de preparo para atender pacientes. Isso é constatação probatória do CREMESP em anos recentes.
Outro fator para a carente formação é a falta de estrutura de ensino da grande maioria dos Hospitais que se insinuam (muitos se atrevem) nessa sagrada missão de preparar corretamente os profissionais.
Não bastasse a falta de Corpo Docente para essa formação, os donos de faculdades que “tomam” os hospitais como pretensa escola, têm a criminosa coragem de usar os jovens médicos e médicas para uma atividade que não é a principal e primordial e seriam úteis e adequadas ao aprimoramento dos mesmos.
Mas sim, para trabalharem como mão de obra explorada, barateada ao extremo, levando-os muito próximos dos malefícios aos pacientes e aos próprios profissionais que custam enxergar suas explorações.
A gravidade: a esses exploradores (donos de faculdades) não interessa o resultado da assistência oferecida ao cidadão que, sempre é inocente e crédulo em que o melhor lhe está sendo aplicado.
Tem acontecido, como ocorreu em Campinas, num tradicional serviço de Residência em especialidade, a demissão de todos os Residentes do serviço, que doi uma mistura de iniciativa dos próprios residentes insatisfeitos e revoltados com o descontentamento dos professores operadores da mesma.
Aqui em Barretos, em nosso meio, o que está acontecendo?
Cada dia a mais está consolidada a situação de se haver tomado a Santa Casa de Barretos como base de ensino, só que faltando o essencial: o Corpo Docente de Mestres, Doutores, Professores, Preceptores, Tutores e Seniores para cada uma das especialidades, para garantirem 2 pontos de honra da Medicina.
O primeiro é um atendimento médico-cirúrgico de qualidade (que a moderna Medicina poderia oferecer) NÃO ESTAR SENDO OFERECIDO NEM PRATICADO NA SANTA CASA DE BARRETOS, com graves consequências e resultados ao cidadão atendido.
O segundo ponto de honra é estar sonegando ao jovem profissional médico a correta maneira de formá-lo para o MUNDO, colocando-lhe enorme responsabilidade e o explorando como mão de obra barateada. O pior: sob comando de um monopólio sórdido não tem a menor preocupação com essas consequências.
O que fazer? Diante de uma Prefeita passiva e dominada, de uma Câmara Municipal despreparada ou tornada inerte (apesar da gravidade dos fatos) e de um Ministério Público (Curador da Área de Saúde), bem entendido, sem tomada das necessárias providências, torna-se necessário levar a questão para as altas esferas que incluem Ministério da Educação (MEC), Ministério da Saúde, Procuradorias Federal e Estadual, Tribunais de Contas, Polícia Federal, tudo por conta de se abortar essa grave situação.
Um problema sério, é que erros grosseiros, más condutas médico-cirúrgicas de níveis hospitalares, somadas às atividades deficientes de unidades básicas de saúde saltam às vistas da população em geral, criando um estresse dos piores num mundo já cheio de outros desastres.
É inaceitável receber tristes notícias de cirurgias eletivas e de urgências que, rotineiramente são corretivas para o “retorno” à vida normal, passarem a ser notÍcias NÃO INCOMUNS, criando taxas de mortalidade e sequelas, maculando um passado de exercício modelar, médico-cirúrgico e hospitalar, durante décadas.
E o que é grave (até irrelevante) saber de discursos em ambientes de captação de dinheiro, de arrogante figura exploradora de câncer (e, agora, de outros males) desmoralizando todos os antigos médicos rotulados como exploradores da Santa Casa quando, de fato, é exatamente o contrário: exploração do ideal de uns enriquecendo “em nome de Deus de um de seus profetas (Isaias), usado como patrono da inspiração.
E num paradoxo cínico: arvorar-se em ser um “formador de médicos”.
Enfim, algo tem que ser feito. Enquanto não, o dever de denúncia continua a ser exercido.
Dr. Fauze José Daher
Gastro Cirurgião e Médico do
Trabalho, Ex Diretor Clínico
da Santa Casa de Barretos,
Ex Presid. APM Regional de
Barretos Advogado