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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Rotina Nossa de Cada Dia

Desde o nascimento, médicos já apontam a necessidade e importância de se ter uma rotina. Hora certa para os bebês mamarem, tomarem banho, dormirem, e pouco a pouco ela se cria sem grandes dificuldades.
Com o passar do tempo novas rotinas são apresentadas a cada fase do desenvolvimento, com o precioso cuidado de não serem introduzidas bruscamente, e assim a vida segue seu curso.
Muita gente estuda na mesma escola desde os três anos de idade até o ensino médio; convivendo com os mesmos amigos, comendo os mesmos sabores de pizza e se refrescando com os mesmos sabores de sorvete.
Com a entrada na faculdade acontecem algumas mudanças que logo se enquadram nos costumes, e por quatro a cinco anos se vive confortavelmente entre estudos, namoros, amigos e festas; buscando-se cautelosamente uma mesma ordem dos fatores.
As responsabilidades chegam depois da almejada formatura, quando novamente é hora de transformações na rotina; é preciso trabalhar, buscar a independência financeira, construir a própria vida, mas ainda se mantém muita coisa dos hábitos anteriores. A necessidade por se fazer os mesmos caminhos no trânsito, comer as mesmas comidas, viajar para os mesmos lugares continuam, e são um bálsamo para a alma.
Logo uma vigente rotina de trabalho substitui a de estudos, e novamente a vida segue tranquilamente seu curso, sendo de tempos em tempos acrescentada alguma peculiaridade, e tudo vai se sincronizando: trabalho, família, filhos. A vida vai assim sendo vivida por muito tempo, quiçá eternamente, no mesmo emprego, com os mesmos amigos, com os mesmos horários e planos, e isso é profundamente confortável.
A pandemia da Covid 19 tirou muita gente ao mesmo tempo da zona de conforto. Somos extremamente resistentes às mudanças, já que desde o nascimento fomos levados a fazer o máximo de coisas sempre iguais.
Simplesmente da noite para o dia tudo teve que mudar. Mudanças na vida social, na escola, no trabalho, tudo que um dia foi rotina sumiu sem aviso prévio. Como sobreviver a isto? Um verdadeiro caos psicológico se instalou juntamente a outros.
Muita gente que a vida inteira trabalhou em determinada profissão ou empresa, se viu sem saber o que fazer ao perder o emprego. Escolas não poderiam mais ter a presença dos alunos, nem templos e igrejas seus fiéis, restaurantes só poderiam fazer entregas… O desespero invadiu um mundo já tão acostumado às mesmas coisas.
Depois de um período assustador e paralisante, aos poucos as pessoas foram se organizando e se redescobrindo. Talentos escondidos vieram à tona, quem se achava capaz de fazer apenas uma coisa na vida e a vida inteira, se revelou hábil em tarefas até então inimagináveis. A zona de conforto encobriu esses talentos, pois a maioria segue à risca o antigo ditado popular que diz: “Não se mexe em time que está ganhando”.
Apesar de tantas perdas vivenciadas nesse período, também saímos ganhando e justamente pelo fato de sermos obrigados a nos mexer! Nunca mais seremos os mesmos, o mundo nunca mais será o mesmo, aprendemos a duras penas que a confortável rotina nossa de cada dia pode ser mudada a qualquer momento.
Nossa vida aos poucos está voltando ao que era antes da pandemia. Escolas, templos e até eventos foram liberados, as máscaras deixaram de ser obrigatórias, e uma luz vem surgindo no fim do túnel.
Entre mudanças e retomadas de rotinas, descobrimos que somos mais fortes do que imaginávamos, pois somos sobreviventes de uma guerra física e psicológica que parece estar dando sinais de trégua, mas ainda não acabou.
O aumento de novos casos da doença tem voltado a preocupar a população e as autoridades, mas já somos veteranos dessa guerra. Estamos preparados para combatê-la, estamos preparados para vencê-la, estamos preparados para mudarmos de rotina mais uma vez se for preciso, para alcançarmos triunfantes a glória.

 

 

Erika Borges, cronista e escritora,
autora do livro Crônicas e Reflexões
da Vida, Mediadora de Biblioterapia

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