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Barretos: ‘Terra de Jorge Andrade’
Caros leitores,
Hoje, 21 de maio, Jorge Andrade, o ilustre filho desta ‘Chãopretana Terra”, completaria 100 anos.
Neste prólogo, cito na íntegra, o texto publicado na mais renomada e consultada enciclopédia no século passado, com destaques mundiais, a BARSA, edição de 1994, página 417, dada sua importância, traz: “ANDRADE, Jorge (Aluisio Jorge Andrade Franco). Dramaturgo brasileiro (Barretos, SP. 21-V-1922 – São Paulo 13-III-1984). Viveu no interior a maior parte da vida e formou-se como ator na Escola de Arte Dramática de São Paulo. Teve papel importante na renovação da dramaturgia brasileira nos anos 50. Suas primeiras peças ‘O Faqueiro de Prata’ e ‘Ó Telescópio’, ambas de 1954 – não despertaram grande atenção, mas ‘A Moratória’ lhe valeu o respeito da crítica, que entendeu a sóbria preocupação social, o paciente artesanato e a intransigente recusa ao sensacionalismo. Jorge Andrade dramatiza sobretudo o conflito de indivíduos contra o meio social em desagregação. De um modo particular, relata a decadência dos barões do café, ‘A Moratória’ mostra, humilhada na cidade, a família que fora arrogante na fazenda. Um maior sucesso de público veio na década de 1960, com a própria ‘Moratória’ e também com ‘A Escada’ e ‘Os Ossos do Barão’, peça que foi adaptada para a televisão pelo próprio autor. ‘Vereda da Salvação’, sobre fanáticos religiosos, foi filmada por Anselmo Duarte. Na década de 1970, Jorge Andrade teve censurada ‘Senhora da Boca do Lixo’ e ‘Milagre da Cela’, esta sobre a relação entre uma freira e seu torturador”.
Filho de Ignácio de Lima Franco e Albertina de Andrade Franco, da aristocracia rural, nasceu na Fazenda Coqueiros, em Jaborandi, na época distrito de Barretos, hoje município paulista. Aos 20 anos, o pai mandou-lhe estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, mas logo descobrira que sua vocação não seria a advocacia. Qual, então? “Ser ou não ser, eis a questão”, como diria Shakespeare. No princípio dos anos 1950, encontrou o caminho: o Teatro. Matriculou-se na Escola de Arte Dramática de São Paulo, no curso de ator. Mas, por influência da renomada atriz Cacilda Becker, enveredou-se para a dramaturgia, e o Brasil ganhou um autor revolucionário, um dos que mais contribuiu para a dramaturgia brasileira nos anos 60, 70 e 80.
Em Barretos lecionou no antigo Ginásio Vocacional, sendo lembrado com muito carinho pelos seus ex-colegas e ex-alunos. Segundo eles, foi uma época memorável.
Em sua trajetória na dramaturgia, escreveu para o teatro, televisão e cinema, até em seu único romance, ‘O Labirinto’, recebeu o prestígio e consagração da crítica especializada brasileira e internacional, de colegas, estudiosos e ensaístas, entre eles: Décio de Almeida Prado, Dias Gomes, Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Sábato Magaldi. Em contraponto, Jorge Andrade, teve algumas de suas peças censuradas durante a ditadura militar, ao ponto de a peça ‘Rastro Atrás’, de 1966, ter sua estreia, em 1968, em Portugal. Até hoje suas obras são estudadas em Universidades e encenadas por inúmeros grupos teatrais, dada a sua relevância artística, histórica e social.
Em 1991, tive a honra de participar, juntamente com outros 23 atores ligados aos grupos teatrais de Barretos, da montagem da peça ‘Vereda da Salvação’, inspirada em fato verídico envolvendo o fanatismo religioso, ocorrido em Malacacheta, MG, com os assassinatos brutais, pelos donos do poder, de colonos mineiros, que se refugiaram da fome e da miséria na religião. A direção foi de outro barretense ilustre, o ator Luiz Carlos Arutim.
Com louvor, a ABC homenageia JORGE ANDRADE, desde 1984, tendo-o como patrono da Cadeira nº 6, ocupada, no presente, pela advogada e poetisa Vera Sônia Abrão. No mesmo ano instituiu o Concurso Nacional de Contos “Prêmio Jorge Andrade”, com realização bienal, sempre nos anos pares, atualmente em sua XVIII edição. E, em 1989, era lançada a 1ª Coletânea de Contos do ‘Prêmio Jorge Andrade’, na qual enfeixou-se os dez vencedores do I e II Concursos. Um sucesso!
Hoje, com regozijo, que a ABC lança a 7ª Coletânea de Contos do “Prêmio Jorge Andrade”, com os vencedores das edições XVII e XVIII do Concurso Nacional, juntando aos festejos do centenário desse filho de Barretos, que ousou levantar voo de águia.
José Antonio Merenda
Ator, historiador e membro da
ABC – Academia Barretense de
Cultura – Cadeira nº 29