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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Aloísio Jorge de Andrade Franco “Jorge Andrade”

Conhecido internacionalmente, Aluísio Jorge de Andrade Franco, o grande nome literário “Jorge Andrade” foi um dos maiores dramaturgos brasileiros de todos os tempos.
Segundo experts no tema, as peças de sua autoria não almejavam simplesmente colocar em evidência, as corriqueiras emoções cotidianas sentidas pelos simples mortais, iam além, evidenciando as causas, e as origens que as motivavam.
Eram análises profundas das origens, e de seus reflexos, possibilitando ao observador, as deduções, numa compreensão espontânea e acertada.
Para Jorge Andrade, escrever sobre o ser humano, era necessário compreendê-lo, a ponto de amá-lo… e não poder fazer nada por ele, e às vezes, nem o suportar”.
Nascido em 21 de maio de 1922 em Barretos, no então distrito de Jaborandi, era filho de Inácio de Lima Franco e de Albertina de Andrade Franco. Foi casado com D. Helena Franco, com quem teve três filhos: Gonçalo, Camila e Blandina.
Até completar 20 anos de idade viveu na fazenda de sua família. Mudou-se, posteriormente, para a cidade de São Paulo, e segundo o jornalista Flávio Rangel, como todo bom filho de fazendeiro, estava destinado a cursar a faculdade de Direito, almejando pura e simplesmente, o diploma, que certamente seria pendurado na parede como símbolo da conquista, e assim, o jovem advogado seguiria lidando no campo, continuando o trabalho da família.
Tempos depois, não suportando o ambiente da faculdade, e o período em que estagiou como simples funcionário de segunda classe em determinado banco, retornou à fazenda, e segundo relatos, passava horas seguidas fitando o céu, e a vasta extensão de terra.
Passados nove anos retornou a São Paulo com o intuito de assistir à peça “Anjo de Pedra”, encenada pela conceituada atriz Cacilda Becker, depois do espetáculo, timidamente dirigiu-se ao camarim da atriz, sendo recebido com simpatia.
Adiando compromissos, a atriz Cacilda Becker agendou encontro com o dramaturgo, depois de três horas de diálogo com o jovem interiorano, entregou-lhe um endereço: o da Escola de Arte Dramática, de Alfredo Mesquita.
Decorridos quatro meses, surgiu a peça “O Telescópio”, a primeira de autoria de Jorge, pela qual recebeu o prêmio “Fábio Prado”.
Em 1954, terminando o curso de interpretação na Escola de Arte Dramática, obteve Menção Honrosa com a peça “As Colunas do Templo”.
Em 1955, “A Moratória”, outra peça de sua autoria encenada por Gianni Ratto alcançou enorme êxito, recebendo o prêmio “Saci”. Sagrou-se vencedor no concurso “A Mais Bela Peça Brasileira”, promovido pela Rádio do Brasil. No ano de 1958, foi encenada “Pedreira das Almas”. Em 1961 alcançou sucesso com a apresentação de “A Escada”, a peça mais premiada do ano. Em 1963 foi encenada “Os Ossos do Barão” pelo grande cômico Zeloni, alcançando enorme sucesso de bilheteria, vindo a seguir “Vereda da salvação”.
Tal foi o prestígio alcançado por Jorge Andrade, que o Departamento de Estado Americano o convidou para realizar viagem de estudos pelo período de quatro meses, pelas principais cidades dos Estados Unidos, o que foi realizado. O barretense realizou o grande desejo, o de manter contato com o famoso dramaturgo Arthur Miller, e durante a entrevista externou a vontade de permanecer nos Estados Unidos para participar de alguns cursos de dramaturgia. Segundo relatos Arthur Miller abanou a cabeça, e retrucou: Volte para o seu país, e procure descobrir porque os homens são o que são, e não o que gostariam de ser, e escreva a diferença.
A obra “O Faqueiro de Prata” foi escrita por Jorge no ano de 1965, no mesmo ano acompanhou a transformação para filme, a peça “Vereda da Salvação”, representando o Brasil no “Festival de Berlim”. Em 1977 sua peça “Milagre na Cela” foi publicada, e seu livro autobiográfico “O Labirinto” foi lançado no Grêmio Literário e Recreativo de Barretos no ano de 1978.
Suas novelas sempre faziam referências a Barretos, descrevendo fatos ocorridos, como “os ingleses do frigorífico”, “ a avenida 21”, “as moças da rua 14”. A novela “A Moratória” foi totalmente alicerçada nos costumes de Barretos, sendo, o personagem “Nhô Quim” baseado na figura do Cel. Joaquim Martiniano de Andrade, avô de Jorge. Merecem destaque as novelas: “As Gaivotas” e “Os Ossos do Barão” apresentadas pelos principais canais de televisão da época: Tupi, Bandeirantes e Globo.
No ano de 1983, apresentando problemas cardíacos foi submetido a procedimentos cirúrgicos no Instituto do Coração em São Paulo, recebendo três pontes de safena, sendo a operação coroada de êxito.
Acometido por derrame cerebral em 12 de março de 1984, voltou a ser hospitalizado no Instituto do Coração, e encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva, apresentou quadro de edema pulmonar agudo, falecendo às 8h10 do dia 13 de março, deixando imensa lacuna no cenário artístico brasileiro. Salve, Salve, Salve Jorge!

 

Elisete Greve Tedesco
Membro Efetivo da ALAB
Cadeira n° 1
Patrono: Ruy Menezes

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