Artigos
Clube do Livro – e o que dizer da Capitu?
Há muito se sabe que a leitura é essencial à construção do conhecimento, na transformação e na formação de seres críticos e pensantes. Para além, sabe-se que potencializa uma melhor interpretação de enunciados, uma comunicação autêntica e própria, garantindo a aquisição de vocabulário rico e o ajuizar dos próprios pensamentos. Há, ainda, aqueles que dizem que ler é viajar sem sair do lugar ou como Djavan: “um dia frio, um bom lugar para ler um livro”. Frio, calor, ler deitado ou refastelado numa poltrona, um livro digital ou sentir os dedos deslizando por entre as folhas de papel — cada um com suas preferências e manias… mas ler.
Na nossa terra do peão de rodeio, de poetas, escritores, de artistas como o nosso saudoso Luís Carlos Arutin, Jorge Andrade; aqui, bem aqui, num canto dessa nossa cidade que canta as modas de viola, conta as sagas dos tropeiros, está o Clube do Livro da Escola Benedito Pereira Cardoso.
Na Sala de Leitura da escola ‘Benedito’, os livros não são troféus expostos nas prateleiras, mas fonte viva de água cristalina, veredas revigorantes a estimular as sinapses, entre neurônios, naquela corrida onde o resultado será sempre positivo: um facilitador na produção do conhecimento erudito, promoção de socialização, do debate de textos e na realização de concursos onde o vencedor será o que mais vorazmente tiver consumido cultura. Palestrar no Clube foi gratificante. Tão logo chego, tão logo as perguntas começam. As mãos se erguem em questionamentos lindos e instigantes. Dona Sada, como foi isso, como é aquilo; e mais isso, e um pouco mais daquilo!
Aquela alegria, aquela curiosidade investigativa foi um sopro de vida, um ecoar de passos anunciando a chegada de quem amamos. Foi lindo e foi ainda mais lindo poder retribuir com o que muito amo: falar de livros, personagens, editores, gráficas, feiras de livros, capas, lançamentos, mercado editorial e tantas outras questões abordadas, não podendo me esquecer da Capitu.
“A senhora acha que ela traiu ou não o Bentinho”?
Ah, Machado de Assis: que cilada o mestre me colocou!
A acolhida já se tornou parte das minhas boas reminiscências, junto aos girassóis com os quais sai abraçada — sol maior gira por dentro do meu interior e mente desde então.
Com esse pequeno texto, mediante a grandeza do projeto, agradeço com muita honra o convite já aceito para ser a patrona do Clube do Livro comandado por professores, coordenadores, representados neste texto por Cristina Soares, Alex Caetano e Celina Kaneda; pelos meninos e meninas que compõem o clube, entre os quais ressalto a Ana Carolina Mendes de Carvalho e sua diretora, Rosa Vilas Boas.
Com Marguerite Duras — “Caminhais em direção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros”, expresso o trabalho desenvolvido por esse time do Clube do Livro do qual, com muita honra, faço parte.
Apenas uma ressalva: não, não estamos sós. Temos os livros e temos uns aos outros. Esse Clube é um coletivo em sua formação: todos trabalham juntos e um pelo outro!
Sada Ali
Psicóloga