Artigos
O Começo do Fim
Neste domingo de Páscoa, 17 de abril de 2022, além de comemorarmos a ressurreição de Cristo, sua passagem da morte para a vida, tivemos o pronunciamento do nosso ministro da saúde Marcelo Queiroga anunciando a passagem da pandemia para uma endemia. Isso não significa o fim do vírus da covid 19, mas um controle maior dele, e uma harmoniosa convivência.
A notícia foi recebida sem fogos de artifícios, sem grandes plateias delirantes, e na verdade muitos brasileiros ainda nem estão sabendo do fato.
Desde fevereiro de 2020 quando o primeiro caso foi detectado no Brasil, após o vírus já ter se alastrado primeiramente pela Europa, o povo brasileiro e o povo do mundo inteiro vêm ouvindo diversos discursos. Hora portas fechadas, hora folia de Carnaval; hora se tem emprego, hora não; hora máscaras são importantes, hora não; hora se come, hora passa fome. Hora se tem medo, e hora se tem medo de novo.
A batalha contra o vírus da covid 19, nos levou vários soldados, casou muita dor, muita insegurança e só sobreviveu à doença e ao caos político e econômico causado por ela, quem soube se reinventar, quem não deixou a “peteca cair”, quem mesmo em meio a tudo manteve pelo menos um pouco da sanidade.
O mundo já não é mais povoado pelas mesmas pessoas de 2019; nos tornamos obras novas, obras de uma pandemia. Somos uma espécie mais forte, mais adaptável, mais corajosa, mais resiliente.
O começo do fim foi decretado, contudo pelo excesso de zelo adquirido depois de tanto sofrimento, ainda não temos total certeza disso.
Seguimos confiantes, tocando a vida do jeito que ela é agora. Em algumas mesas sobram lugares, em outras faltam o pão, e é simplesmente impossível apagar de uma hora pra outra as cicatrizes deixadas no coração.
Erika Borges, cronista e
escritora, autora do livro
Crônicas e Reflexões da Vida.