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Em defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Barretos
Caros leitores,
SOS.!!! Querem me destruir . . .!
O Recinto pede socorro!
Em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Barretos, no dia 17 deste mês, o secretário de Turismo, Cuiabano Lima, disse alto e bom som, em depoimento gravado em vídeo, que pretende “destombar” o Recinto Paulo de Lima Corrêa. Uma ação inédita. Ficamos atónitos ao ouvir tal declaração! Seria possível? Seria uma manobra política? Teria interesses escusos? O que nos acendeu um sinal de alerta e momentos de reflexão. É de suma importância a sua preservação, não só da fachada, mas de toda a área interna.
Barretos, infelizmente, não possui uma política pública de tombamento, como há em inúmeras outras cidades, só o prédio do Museu Histórico, Artístico e Folclórico ‘Jornalista Ruy Menezes’, pelo município e o Recinto, pelo Estado. No entanto, é a primeira vez que o poder público enfoca o ‘destombamento’ de um bem que é um patrimônio material, vindo a anuviar o panorama histórico e cultural de nossa querida Barretos.
Queremos que a população, os turistas, nossos filhos, nossos netos e outras gerações pisem em seu solo, caminhem pelas pedras portuguesas, visitem o monumento, a arena, as baias, os pavilhões, o restaurante, a arquibancada, tribuna de honra, enfim, no futuro, não só apreciem a beleza do Recinto através de fotografias e pinturas expostas no museu.
O recinto foi palco da exuberância econômica da época do gado, nas décadas de 1940 a 1970; foi palco do nascimento e por mais de vinte anos da maior festa folclórica da América Latina, a Festa do Peão de Boiadeiro (1956 – 1984), em homenagem ao herói anônimo do sertão, que, com seu berrante, conduzia a nossa riqueza: o gado. Promovida pela Associação ‘Os Independentes”, aconteciam, na arena, os rodeios, onde “o chão era o limite” e empolgava a multidão. E Orestes de Ávila, a repetir ‘Seguraaaa Peão!”. Nas noitadas folclóricas, no palco, desfilavam conjuntos folclóricos do Brasil e de toda a América Latina, na época do saudoso dr. Wilson Palma da Rocha.
O Recinto ‘Paulo de Lima Corrêa’, inaugurado em 1945, completa em 2022, 77 anos, construído pelo Estado, no governo do Interventor Federal, Fernando de Sousa Costa, ainda no Estado Novo, de Getúlio Vargas e com o apoio incondicional do prefeito Fábio Junqueira Franco.
Por que Recinto ‘Paulo de Lima Corrêa’? O seu patrono é um barretense ilustre? Não! É uma homenagem ao, então, Secretário da Agricultura, Comércio e Indústria de São Paulo, nascido em Batatais, que recebeu o primeiro pedido dos barretenses, em maio de 1943, para que se construísse um local para abrigar as Exposições de Gado, devido à pujança econômica que advinha dessa atividade econômica, e, que Barretos, se consagrava no segmento. O pedido foi atendido prontamente, No entanto, Paulo de Lima Corrêa, foi vítima de um derrame cerebral, a 28 de agosto daquele mesmo ano, em São Paulo, vindo a falecer dois dias depois. Então a Associação dos Pecuaristas do Vale do Rio Grande, houve por bem homenageá-lo, dando seu nome ao Recinto.
Foi uma luta árdua que muitas pessoas trilharam, principalmente da ARPLIC – Associação dos Amigos do Recinto Paulo de Lima Corrêa. Criada em 2003, almejava e tinha como principal objetivo a recuperação, melhoria e preservação do Recinto, para realizações de eventos agropecuários e congêneres. Após sete anos, em 11 de março de 2010, depois de muita burocracia, ponto final, foi assinado o tombamento pelo CONDEPHAAT. Uma vitória não só dos defensores, mas de toda a comunidade barretense,
No entanto, explode esta bomba! Com certeza, vozes hão de se levantar, para salvaguardar o patrimônio histórico e cultural de Barretos, pensamentos estapafúrdios deverão ser combatidos.
Não somos agitadores! Somos vigilantes! E necessário que se abram canais de diálogos para tranquilizar o povo e fortalecer o patrimônio desta nascente ‘Estância Turística’.
José Antonio Merenda
Escritor, historiador e membro da
ABC – Academia Barretense de Cultura
Cadeira nº 29