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O silêncio noturno como direito sagrado
Quem conhece Manhattan, no coração de New York e centro de congraçamento de cidadãos do mundo todo, sabe que apesar de toda a riqueza de comemorações e reuniões festivas, é profundo o respeito pelo silêncio nas ruas após as 22 horas.
Quem conhece a nossa Pauliceia, a São Paulo de todos os brasileiros e “máquina” econômica, social, cultural brasileira (e da gastronomia mundial), percebe que após as 22 horas, suas noites são entregues ao repouso de milhões de trabalhadores de todos os tipos, sem prejuízo do direito do verdadeiro descanso.
Como tem sido boa uma conquista do Homem, fazer com que, por exemplo, o Aeroporto Internacional de Congonhas, com o valor e o poderio econômico que representa, inserido no meio de vários bairros residenciais da metrópole paulistana, se dobre em respeito ao silêncio, sem pousos nem decolagens de aeronaves, no intervalo das 22 às 6 horas da madrugada.
Mas seria só descanso do paulistano? Claro que não. Milhares de pontos de encontros, lazer, diversões e de trabalho existem, porém, cumprindo a responsabilidade de resguardar o silêncio de após as 22 horas.
Interessante é o gesto de verdadeira cidadania de quem “vive da madrugada”, seja em qualquer atividade, em saber respeitar o direito ao descanso, compreendendo que a autonomia (“irmã gêmea” da vontade de ser livre) é almejada, porém, esbarrando no limite do direito (e liberdade) dos demais cidadãos.
Felizmente, esse comportamento tem sido universal.
Mas, um núcleo residencial próximo ao centro de nossa cidade (Barretos) tem sofrido há meses (senão já há 1 ano) pela falta desse dever/obrigação de respeitar o repouso noturno em várias residências próximas e até distantes de determinado restaurante.
Incomoda, sim, até bairros próximos como o Primavera, Jardim de Alah, Baroni, indo até o Marília cujos moradores não têm sido ouvidos pelas autoridades da Prefeitura, Polícia ou Guarda Municipal, nem mesmo da Curadoria do Meio Ambiente.
Todos estes, que são poderosos vigilantes dum detalhe tão simples e importante, mas desafiados por quem encontra respaldo dentro dos próprios “entes estatais da cidade”. Infelizmente…
Casal de amigos pediu-me para tratar publicamente do assunto. Pode parecer exagero de providência e que seria desnecessária numa comunidade evoluída aos níveis do mundo contemporâneo. Cansaram, entretanto, de reclamar em setores pertinentes para agirem, sem a devida solução.
Mas, fica aí a oportunidade para meditação dos “ofensores da ordem”, quem sabe, perceberem que não seria necessário trazer exemplos de Nova Iorque, de São Paulo e da civilização moderna, que ficaram démodé tais posturas de desrespeito acintoso frente aos semelhantes, à lei, ao bom senso e aos tão evidentes requisitos de civilidade.
Felizmente, são poucos locais por aqui.
Prezado casal amigo: está feita minha parte.
Basta, agora, fazer valer um mínimo de ação de gestão pública.
Quem sabe, irá prosperar? Assim esperamos.
Dr Fauze José Daher
Médico Cirurgião e Advogado.