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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Teia de aranha na caixa de correio

Caros leitores,
Há tempos que minha ‘caixa de correio’ está vazia. Não recebe cartas, cartões, telegramas e nem, os indesejáveis, mas necessários, boletos de cobrança.
Ao retroceder no tempo, o ‘Correio’, no Brasil, teve sua origem com a criação do Correio-mor das cartas do mar, em 1663, portanto há 358 anos, no Rio de Janeiro, apesar de que a capital da colônia fosse, à época, Salvador, BA. O ‘Correio’ é responsável pela recepção e entrega de cartas, cartões postais, correspondências e telegramas à população, mantendo-a informada por mais longínquas que sejam as localidades, numa verdadeira integração nacional.
Com o passar do tempo, o setor postal brasileiro sofreu transformações profundas, com vários serviços e produtos incorporados ao seu portfólio. Na década de 1990, houve elaboração de diretrizes que propunham sérias reformas no ‘Correio’, como a reestruturação, um avanço para a modernização; o aumento da oferta de serviços; atualizações tecnológicas; consolidação e ampliação do papel social do Correio, como agente prestador de serviços públicos. Enfim, aprimorava as suas funções. No entanto as propostas foram arquivadas no início dos anos 2000.
Tendo em vista que, nos anos subsequentes os ‘Correios’ enfrentaram escândalos de corrupção, má-gestão e uso político, motivos reprováveis, que instaurou uma crise na empresa, influenciando na queda da qualidade dos serviços prestados, devido à falta de materiais, infraestrutura e até recursos humanos, visto a implementação de PDV – Plano de Desligamento Voluntário, para reduzir o quadro de funcionários, porém, sem abertura de novos concursos públicos. Atualmente, cogita-se, inclusive, a sua privatização.
Sem dúvida que, outrora o ‘Correio’ foi sinônimo de eficiência, segurança e pontualidade das entregas, além de ser extremamento útil na comunicação entre as pessoas. Enfim, um orgulho nacional. Os dignos carteiros eram respeitados e esperados com ansiedade e alegria, ao fazer a entrega de correspondências, na maioria das vezes, portador de notícias auspiciosas.
Nessa argumentação, é bom lembrar que, hoje poucas pessoas escrevem cartas ou enviam telegramas, as mensagens são trocadas via internet. E no mês de dezembro de cada ano, como era de costume, recebia os famosos ‘cartões de boas festas’. Como era gostoso abrir a ‘caixa de correio’, pegar os cartões, abrí-los e ler as mensagens de Natal e de Ano Novo e depois colocá-los na árvore de natal. Era muita emoção. Sim, este ano recebí muitas felicitações, porém, de forma virtual, ou seja, pelas redes sociais, nada palpável. A ‘caixa do correio’ continuou vazia.
Bem, fico no aguardo dos boletos de cobrança. Acontece que, de uns tempos para cá, os correios esperam acumular um número expressivo de correspondências para o endereço. E os boletos, finalmente chegam ao seu destino, porém, todos vencidos. Só resta rasgá-los e colocá-los no cesto de lixo.
Espero que em 2022, o serviço se normalize e a minha ‘caixa de correio’ esteja repleta de boas notícias e não acumule ‘teia de aranha’ pelo desuso!

 

José Antonio Merenda
Historiador e membro da
ABC -Academia Barreense
de Cultura – Cadeira nº 29

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