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Pantomima
Palavra diferente, que pode causar a estranheza de muitos, assim como causou a mim quando ouvi recentemente pela primeira vez. Significa a arte de representar um texto, uma música, ou uma peça teatral apenas com gestos, sem palavras, e isso nos leva a refletir quantas vezes no palco da vida a pantomima esteve presente sem nem mesmo nos darmos conta.
Aquele abraço apertado de mãe, antes do primeiro dia de aula, continha um milhão de palavras que só seus ouvidos puderam escutar.
Aquele “soquinho” no ombro que seu melhor amigo te deu, quando superou o medo de falar em público, foi uma verdadeira mistura de poesia barroca e contos contemporâneos.
Aquele dia que você não teve palavras para consolar a dor de quem ama, e apenas deixou suas lágrimas se juntarem às dela, compuseram uma antologia de sentimentos.
Aquele bolo cheiroso que você fez para sua família compreendia o maior e mais lindo discurso de amor, e a resposta carinhosa era simplesmente o pedido de mais um pedaço.
Apenas um toque, um olhar, um gesto, pode melhorar ou piorar o dia de alguém. Nada pior do que não te olharem nos olhos, assim como não há nada melhor do que um sorriso para curar esse desafeto.
O mundo está carente de coisas simples, de gentilezas, de “miudezas insignificantes” que foram se perdendo dia a dia; por falta de tempo, falta de atenção, ou simplesmente falta de vontade. A pantomima do egoísmo também é refletida e sentida por todos a nossa volta.
Jesus já dizia que felizes os que louvam com o coração e não somente com a boca. Deixe seu olhar, seu abraço, seu toque, seu aperto de mão e suas lágrimas falarem por você, e acredite no poder da frase que diz que um gesto vale mais que mil palavras.
Erika Borges, cronista e escritora¬ – autora do livro Crônicas e Reflexões da Vida
Membro do Coletivo RELIARTES (Rede Literária Independente e Artes)