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Finados e a fé
O dia dos fiéis falecidos é uma data de grande comoção na qual todos, em determinado momento do dia, vamos aos cemitérios para prestar homenagens aos nossos entes que não se encontram mais aqui na terra, junto aos vivos. Momento de tristeza também, pois trazemos na memória as variadas situações e circunstâncias em que passamos com aqueles que hoje nos precedem na morada eterna.
Há quem pensa ou mesmo acredita que a morte é o final de tudo. Para aqueles que não possuem a fé ou a vivência desta, sim, pois não temos mais a presença física de nossos queridos familiares junto de nós, trata-se do final de uma vida junto aos nossos, não os veremos mais a partir do momento do sepultamento.
Mas a morte não é o final e sim uma passagem: do mundo das criaturas para o mundo do criador, da vida mortal para a vida imortal. Há felicidade maior que esta?
Nossa fé se abala, nos estremecemos diante da separação e desejamos no íntimo do nosso coração que aquela situação, aquele momento não aconteça, ou, se for possível, adiado mais algum tempo… Não compreendemos o plano de Deus e por mais que tenhamos ciência da morte, jamais nos preparamos para esse momento, nunca estamos prontos e dificilmente a aceitamos. Por diversas vezes foge a debates, e quando começamos a nos referir a ela, trocamos o assunto, ‘batemos na madeira’, deixamos para lá.
Jesus, em diálogo com Marta, quando indagado por esta sobre a presença do Mestre ali diante da morte de seu irmão, diz que Lázaro ressuscitará; Marta diz crer na ressurreição, por sua vez, Cristo se apresenta como ‘a ressurreição e vida, todo aquele que crê nele, ressuscitará, e, todo o que acredita nele, não morrerá jamais’ (Jo 11, 21-26).
A comoção e a emoção é algo natural em um processo de despedida, e, ao recordar os fiéis falecidos, faz-se menção de que nenhuma pessoa é esquecida diante do mistério da morte. Podem passar dias, semanas, meses, anos, o que permanece é a esperança de que o Mistério Pascal de Cristo seja colocado em evidência na vida daqueles que se encontram na morada eterna, junto do Criador.
O Mistério Pascal de Cristo constitui em sua Paixão, Morte e Ressurreição e é essa a esperança que nos assegura a fé na vida eterna, pois ‘se com Cristo morremos, com Ele reviveremos’ (Rm 6,8).
A vida sem fim é contemplada na presença do Cristo. Tal qual Marta, devemos ser desejosos da ressurreição e da vida eterna. O sufrágio da alma é ofertado com desejo de piedade em memória daqueles que antecedem nossa ida para junto do Pai.
Na terra somos peregrinos, estamos de passagem. Experimentamos uma vida que é momentânea, temos diversos aprendizados e vivemos a fé com intensidade. Ansiamos o paraíso, a morada eterna e buscamos as coisas do alto.
São Francisco de Assis chama a morte de ‘irmã’, ou seja, algo ou alguém que não é estranha a nós, e, por assim ser, uma companheira que nos há de alcançar algum dia. Se ela é nossa irmã, o quê temer?
O fato de nos deslocarmos aos cemitérios e memoriais no dia dois de novembro mostra que nossos familiares – os quais não estão mais ao nosso lado – jamais serão esquecidos, e estarão sempre vivos em nossa memória, pois desejamos um dia nos encontrarmos na morada eterna.
Para reflexão, seria bom buscarmos a Oração “A morte não é nada” de Santo Agostinho, que nos convida a seguir nossa vida com firme esperança vivendo a fé e sorrindo, como nossos entes gostariam que fizéssemos se aqui estivessem.
Padre Flávio Aparecido Pereira