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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Aquilo que somos: Família

Adoro ouvir música, principalmente rock nacional dos anos 1980. Outro dia acabei ouvindo a música Família da banda Titãs. Muito legal a música, retrata muito bem o que é uma família normal, de verdade. Porém nos dias de hoje a velocidade das conexões, a redução das distancias, a fragilidade do contato deixou o quesito de família para segundo plano. Normalmente as famílias nada mais são que um conglomerado de pessoas que vivem junto sob o mesmo teto, se relacionam por obrigação, e quando se reúnem por mais que vinte minutos acabam discutindo.
Nos dias atuais as posições divergentes estão mais “a flor da pele”, e as posturas, ideias e conceitos que antes eram discutidos de forma mais tênue ou sincera acabam por si só causando o distanciamento das pessoas dentro do núcleo familiar, seja ele qual for.
O afeto, o respeito, o carinho, a conversa e a compreensão, foram substituídos por regras de convivência, na tentativa de evitar iniciar uma briga, uma discussão. Não vou muito longe para exemplificar: na minha própria família existe o exemplo de convivência “pacífica”. São raros os momentos em que não ocorrem divergências de pensamento, conduta ou princípios. Com raras exceções tais divergências não acabam se tornando discussões e estas por sua vez acabam distanciando ainda mais os componentes do conglomerado. Falo que, sem sombra de dúvida, não existem famílias perfeitas; muito pelo contrário. Mas, com o passar dos anos aquilo que retrata a música que mencionei vai caindo por terra.
Eu já tive minha experiência particular de família, já fui casado, e não foi agradável ver que a tentativa de construir um “lar” tinha fracassado. Por sorte surgiram meus filhos dessa tentativa de construir uma família, pedaço de alegria em meio as mágoas e angústias que sobrevieram depois do término da família que havia planejado. Os motivos para o término de uma família são inúmeros, porém o fundamental deles foi a necessidade de não caminhar juntos em prol da própria família.
Quando duas pessoas unem-se para construir uma família o principal objetivo é se doar para tal instituição, algo que não vemos com frequência hoje em dia. Isso não difere por culpa da idade, mas sim, por questão de objetivos comuns entre o casal que inicia uma família: “vamos lutar para dar certo!”.
Apesar de toda a maré contrária, ainda acredito na família, com seus moldes modernos ou não, mas na união de pessoas com laços de afeto, amor, carinho e principalmente respeito. Lugar esse onde possamos contar histórias, dar risadas, ser nós mesmos, sem rótulos. Estar com pessoas que amamos, admiramos, respeitamos e sentimos falta nos momentos tristes e saudade nos momentos bons.
Sociedade matter onde se cria as primeiras características do indivíduo a família não pode ser renegada a um status de simples união de pessoas sob um mesmo teto. Por mais que ocorram discussões, divergências ou antagonismos, ainda assim a família deve ser um lugar para que sejamos acolhidos em nossas diferenças, que, além de proteger e orientar, seja um porto seguro para que possamos dialogar, conversar, trocar experiências e principalmente buscar alguns bons momentos de felicidade

Jeronimo Molina
Administrador, especialista em Gestão Pública, Professor e ativista libertário social.

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