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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Pula fogueira

Caros leitores,
Chegou a hora da fogueira! / É noite de São João . . . / O céu fica todo iluminado / Fica o céu todo estrelado / Pintadinho de balão . . . (…)/ Hoje em dia o meu destino / Não vive em paz / O balão de papel fino / Já não sobe mais (…), com estes versos da marchinha junina composta por Lamartine Babo, relembro as tradicionais festas juninas, que estão em minha memória afetiva: os seus folguedos, com o arraiá todo iluminado, a fogueira para aquecer as noites tão frias de junho, bandeirolas coloridas a balançar, cadeia do amor e as barraquinhas feitas de palha de coqueiro e bambu, as animadíssimas quadrilhas, o resfolegar da sanfona, as meninas de tranças e de vestidos de chita rodados, os garotos com chapéus de palha, camisas xadrez, calças com remendos malfeitos e bigodes pintados com carvão, e ainda, o tão esperado casamento caipira, muito engraçado . . ., tem que casar na marra! Era um corre-corre! Pega-pega!!! Quentão, amendoim, milho verde, pamonha, paçoca, pé-de-moleque . . ., Humm, dá até água na boca! Que saudade!
Junho está no fim, mas, por questão sanitária, já é o segundo ano consecutivo sem essa belezura de festa!
As festas juninas têm lugar especial entre as manifestações culturais brasileiras, no entanto, elas estão associadas às tradições muito antigas, tendo suas origens diretamente relacionadas às celebrações pagãs realizadas na Europa na passagem da primavera para o verão, momento chamado de solstício de verão, uma forma de afastar os maus espíritos e qualquer praga que pudesse atingir a colheita. Vale lembrar que no hemisfério norte o solstício de verão acontece no mês de junho. Mais tarde foi incorporada ao calendário festivo do catolicismo, ao acrescentar elementos cristãos, substituindo os deuses pagãos por santos, dando ressignificação, com conotação estritamente religiosa, em homenagem a Santo Antonio de Pádua, conhecido por todos como o ‘santo casamenteiro’ e São João Batista e a posteriori formou-se a trilogia com a inclusão de São Pedro.
No Brasil, as festividades juninas remontam ao século XVI, trazidas pelos portugueses durante a colonização, visto que era tradição bastante popular na Península Ibérica (Portugal e Espanha), conhecidas como ‘festa joanina’, em referência a São João, mas, ao longo dos anos, teve o nome modificado para festa junina, em referência ao mês no qual ocorria, junho.
Em seu percurso os festejos juninos sofreram diversas influências, citando como exemplos: dos franceses, os passos e marcações das quadrilhas, inspirados na dança da nobreza europeia; os fogos de artifício, trazidos pelos chineses, inventores da pólvora; a fogueira, que é o maior símbolo das comemorações juninas, tem suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria, para avisar Maria sobre o nascimento de João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte.
Aos poucos foi absorvida pela cultura dos brasileiros, afeiçoando-se aos nossos costumes e, em sua evolução, adquiriu diversos aspectos Brasil afora, sendo vista por muitos como uma festividade popular e folclórica, ao invés de religiosa, com danças típicas e comidas à base de milho e amendoim e o famoso quentão.
Os festejos se associam aos símbolos típicos do meio rural, onde o matuto é representado de maneira caricata, além diferenças regionais e multiformes, tanto no artístico, quanto na culinária, além de agregar elementos novos a cada ano, atraindo o interesse de novos públicos.
O ano que vem vai ter quadrilha? Vai ter quentão?
Vai, sim senhor!
Viva Santo Antonio! Viva São João! Viva São Pedro!

José Antonio Merenda
Historiador e membro da ABC – Academia Barretense de Cultura – Titular da Cadeira nº 29

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