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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Artigos

Condenado a 30 anos por assassinato faz seus votos religiosos na prisão

Luigi, um preso, condenado a 30 anos de prisão por homicídio, fez seus votos de castidade, pobreza e obediência em um presídio italiano no sábado passado, 27 de junho.
O prisioneiro, de cerca de 40 anos de idade, fez seus votos após um processo de discernimento no qual foi acompanhado pelo bispo de Reggio Emilia-Guastalla, Dom Massimo Camisasca. Segundo o prelado, a vocação desse homem foi possível graças à pastoral penitenciária realizada pelos sacerdotes Matteo Mioni, dos Irmãos da Caridade, e Daniele Simonazzi, dos Servos da Igreja.
Dom Camisasca disse que, a princípio, não sabia como eram as prisões, mas em 2016 decidiu fazer apostolado nessa área. “Eu não sabia muito sobre a realidade da prisão, confesso. Mas, desde então, comecei um caminho de presença, celebração e partilha, isso me enriqueceu muito”, lembrou.
A história de Luigi começa na sua infância, quando entre as brincadeiras lhe chamavam de “Padre Luigi” porque gostava de rezar e ajudar na Igreja. Depois de não poder ser admitido no seminário, ele mudou sua vida e começa a vivê-la de forma desordenada. De fato, o assassinato que o levou à prisão foi cometido sob a influência de álcool e cocaína. Depois de admitir no processo que tinha uma doença mental, Luigi voltou a rezar muito na prisão e tornou-se um leitor assíduo nas missas dominicais.
Em uma das muitas cartas que trocou com o bispo, disse que rezava especialmente pela salvação do homem que matou. “Uma passagem que me tocou muito é aquela em que diz que a verdadeira cadeia perpétua não é vivida na prisão, mas quando falta a luz de Cristo”, disse o prelado sobre as cartas de Luigi.
Sobre o processo de discernimento, Dom Camisasca explicou que “deveríamos esperar que ele saísse da prisão, mas foi o padre Daniel e quem sugeriu um caminho diferente que lhe permitisse fazer esses votos solenes agora”. “Nenhum de nós é dono do próprio futuro e essa é a maior razão para uma pessoa privada de liberdade. Por isso, eu queria que Luigi pensasse, acima de tudo, sobre o que esses votos significam em sua condição atual”, contou o bispo.
Por esse motivo, ressaltou: “Convidei-o a colocar por escrito os seus pensamentos e expectativas. No final, me convenci de que, em seu gesto de doação, havia algo luminoso para ele, para os outros prisioneiros e para a própria Igreja”.
O Bispo de Reggio Emilia-Guastalla comentou que “com a pandemia (do coronavírus) estamos todos vivendo um tempo de combate e sacrifício. A experiência de Luigi pode realmente ser um sinal coletivo de esperança: não para escapar das dificuldades, mas para enfrentá-las com força e consciência. Eu não conhecia a prisão, repito, e também para mim o impacto foi muito difícil no começo”. “Parecia-me um mundo de desespero no qual a perspectiva de ressurreição era continuamente contradita e negada. Esta história, como outras que conheci, mostra que não é assim”, afirmou o Prelado.
Dom Camisasca enfatizou que o mérito dessa vocação é “da ação dos sacerdotes, do trabalho extraordinário da polícia penitenciária e de todo o pessoal da saúde, sem dúvida”.
“Mas, por outro lado, há o mistério que não consigo deixar de pensar quando olho para o crucifixo em meu escritório. É do laboratório da prisão, me impede de esquecer os detidos. Seus sofrimentos e esperanças estão sempre comigo. E olham para cada um de nós”, concluiu.

Fonte: ACI Digital

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