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“É uma Páscoa para o Senhor” – (Ex 12,11)
A celebração da Páscoa para os judeus é a recordação viva da sua libertação da escravidão do Egito. A cada ano, no seio de toda família judaica, todos se assentavam à mesa na noite do dia 14 de Nisan para comerem a Páscoa do Senhor fazendo memória dos prodígios que Deus realizara para tirar o seu povo do jugo da escravidão e conduzi-lo à Terra Prometida (cf. Ex 12, 1-8. 11-14).
“E quando amanhã o teu filho te perguntar: ‘Que significa isso?’ responder-lhe ás: Com mão poderosa o Senhor nos fez sair do Egito, da casa da escravidão. Como o faraó se obstinasse em não nos deixar ir, o Senhor matou todo primogênito na terra do Egito, desde os primogênitos dos homens até os primogênitos dos animais” (Ex 13, 1415).
“De fato, nosso cordeiro pascal, Cristo, foi imolado” (1Cor 5,7)
Nós, cristãos, celebramos não mais a libertação operada pelo Senhor em favor de Israel, mas a vitória do Ressuscitado sobre o pecado e a morte que garante a vida eterna para todos os que creem em seu Nome.
A morte de Cristo na cruz e a sua ressurreição são o mais perfeito cumprimento da Páscoa acontecida no Antigo Testamento; é, precisamente por isso que Jesus entra na sua Paixão com aquela ceia que os seus discípulos deverão repetir “em sua memória”. Como nos dizem os evangelistas, tratar-se de uma “ceia de Páscoa” (Mc 14,12-16; Lc 22,7-15).
Como para os israelitas, agora para os cristãos, não se trata de relembrar um fato do passado, mas revivê-lo no interior da liturgia. Nós nos tornamos coparticipantes do mistério pascal que iniciou com a ceia de despedida e se consumou com a ressurreição de Jesus. São Paulo explica o fato assim: “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11,26).
Na liturgia do Tríduo Pascal, com toda a Igreja, revivemos os momentos derradeiros de Jesus que garantem para nós a vida eterna. Daí a importância de que nos preparemos para a celebração dos mistérios da morte e ressurreição do Senhor certos de que “se morremos com Cristo, também com ele viveremos” (2Tim 2,11).
“Se ressuscitastes com Cristo” (Col 3,3)
Se até agora consideramos a Páscoa do Senhor no seu aspecto litúrgico, agora cabe-nos refletir sobre a sua vivência. Para nós que celebramos a Páscoa do Senhor revivendo a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, cabem as palavras de São Paulo proclamadas na Epístola do Domingo da Páscoa: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Col 3,3).
Através da liturgia nós nos tornamos contemporâneos da Ceia do Senhor, do seu caminho para o Calvário, da sua morte na cruz e da sua ressurreição dentre os mortos. Acompanhamo-lo para aprender com Ele a passar da morte para a vida.
E quando passamos da morte para a vida? É São João, na sua carta, que encontramos a resposta: “Sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte” (1Jo 3,14).
Ao celebrarmos a Páscoa do Senhor, somos levados por Ele a compreender o significado do mandamento que Ele deixou como testamento aos que creem: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Como eu vos amei, assim também vós deveis amarvos uns aos outros” (Jo 13,34-35).
Celebrar a Páscoa é, portanto, percorrer o mesmo caminho que Jesus percorreu ao dar a sua vida como resgate de muitos. É tornar visível, pela nossa vida, aquele amor que levou-O a dizer: “Não há maior amor prova de amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15,13).
Na certeza de que todos haveremos de celebrar a Páscoa com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (Flp 2,5) quero desejar a todos uma abençoada Festa da Páscoa. Que o nosso “Aleluia” associado ao de toda Igreja seja a exclamação de quem extasiado compreende a força do amor capaz de vencer o pecado e a morte, e garantir a vida para sempre.
FELIZ PÁSCOA! ABENÇOADA PÁSCOA DO SENHOR!
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo Diocesano de Barretos