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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Circular de março do Bispo Diocesano Dom Milton Kenam Jr.

Queridos irmãos e irmãs,
“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou ao rio Jordão e, no Espírito, era conduzido pelo deserto. Ali foi posto à prova pelo diabo, durante quarenta dias” (Lc 4,1-2).
A Quaresma é para nós cristãos um tempo de grande importância. Trata-se para nós do “momento favorável”, do “dia de salvação”, como lemos na segunda leitura da Missa de Cinzas (cf. 2Cor 6,2). Este tempo tem o caráter de “sacramento”, pois comunica aos que o vivem graça e salvação, onde da parte de Deus tudo age em nosso favor, quando são ainda mais abundantes a bondade e a misericórdia divinas.
É também para nós tempo da luta contra a astúcia do diabo que quer nos afastar do projeto de salvação, tentando vencer-nos com a acídia, com o desânimo, a falta de entusiasmo e, por que não, tornando-nos incrédulos diante da ação divina.
O número quarenta nos remete aos 40 dias do dilúvio, aos 40 dias e noites de Moisés no Sinai, de Elias que caminha para Horeb; aos 40 anos do povo eleito no deserto; aos 40 dias durante os quais Jonas pregou a penitência em Nínive; e, por excelência, aos 40 dias que Jesus permaneceu no deserto preparando-se para iniciar o seu ministério.

“Quando ia se completando o tempo para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firma decisão de partir para Jerusalém” (Lc 9,51).

Podemos dizer que a Quaresma é proposta pela Igreja como um caminho onde toda a Igreja é convidada a acompanhar Jesus que vai em direção de Jerusalém para o cumprimento do seu mistério pascal.
Caminhando para a sua Páscoa, Jesus arrasta consigo toda a Igreja para aquele momento que será decisivo na história da salvação.
Neste caminho, Jesus nos convida a três atitudes chaves: à oração, ao jejum e à esmola (cf. Mt 6, 1-6. 16-18). São elas que devem dar a tônica ao caminho quaresmal, por isso elas são propostas já na Quarta-feira de Cinzas quando iniciamos o tempo quaresmal.
Estas três atitudes propostas por Jesus reorientam a nossa vida, nos fazem retornar à estrada da salvação, e dão ao nosso esforço de conversão um sentido real e concreto.
A oração deve ser compreendida como escuta e súplica. Pela oração somos convidados a escuta de Deus que nos fala por meio da sua Palavra; e, ao mesmo tempo, suplicamos ao Senhor o auxílio necessário para vencermos a astúcia do inimigo, o fermento da maldade.
O jejum, compreendido como meio para alcançar a liberdade dos filhos de Deus, pois somente senhores de nossos apetites e desejos, somos capazes de renunciar a nós mesmos tendo em vista o bem dos necessitados e ao cuidado com a criação.
A esmola enquanto caridade in loco nos permite imitarmos a Deus, o Pai dos céus cujo amor o leva a distribuir prodigamente os seus dons, dando de comer aos famintos e aliviando do sofrimento aos necessitados.

“Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27)

Tendo como tema “Fraternidade e políticas públicas” e, como lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27), a Igreja do Brasil quer chamar nossa atenção para a realidade dos mais pobres da nossa sociedade que carecem das condições básicas para uma vida com dignidade.
A atenção para com os pobres e necessitados dá ao nosso esforço penitencial da Quaresma um sentido social (SC 110). Trata-se de unir esforços para erradicar situações que geram sofrimento e morte para grande parte do nosso povo.
As Políticas Públicas, como são apresentadas no Texto-base da Campanha da Fraternidade (CF), não só dão um sentido concreto e social à penitência, mas são também uma maneira organizada de praticar a caridade.
Pela participação na aprovação dos orçamentos dos municípios, estados e nação, na participação efetiva nos conselhos paritários, no acompanhamento dos mandatos políticos e na elaboração de projetos para aplicação dos recursos recolhidos pelo Estado permitimos que as soluções para os problemas que atingem os mais pobres se tornem mais rápidas e duradouras. Daí a importância de nos educarmos para participar dos espaços onde se elaboram e aplicam as políticas públicas.
O amor revelado por Cristo não dispensa a prática do direito e da justiça, ao contrário, supõe e exige: “Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede, e te demos de beber? Quando foi que te vimos como forasteiro, e te recebemos em casa, sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ (Mt 25, 37-40).
Percorrendo o caminho quaresmal na companhia de Jesus e na força do Espírito Santo procuremos fazer com que a nossa conversão ao Evangelho se traduza em gestos concretos de amor e serviço aos irmãos.

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos

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