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A narrativa bíblica e a construção da identidade de um povo
A Bíblia é um dos principais livros do mundo hoje, principalmente por ter sido uma das obras que formaram o Mundo Ocidental. O que poucos conhecem é de onde surgem as grandes histórias da Bíblia, tais como: monstros (como Behemot, Nefilins, Leviatã, unicórnios, dragões, serpentes falantes e querubins); o dilúvio; a Torre de Babel; a narrativa da criação do mundo;a personificação do mal, e a luta do mesmo contra o criador; entre outas histórias míticas.
As histórias e narrativas bíblicas, historicamente, não podem ser vistas como uma única narrativa sequencial e fatual, mas como um emaranhado de histórias frutos de interações entre os povos hebreus com outros povos como os sumérios, assírios, babilônios, egípcios, fenícios, cananeus, gregos e persas. Ou seja, relatos frutos de intercâmbios culturais.
Todas as tradições do Antigo Testamento bíblico, os relatos com suas figuras heroicas como Sansão ou Davi, as histórias e as leis, foram transmitidas oralmente, de geração a geração, não livres de adaptações em seus tempos, até o advento da cultura escrita no Oriente Médio, alcançando assim, um povo que vivia de atividades pastoris em uma estreita faixa de Terra no Oriente Médio, fronteiriço ao Mar Mediterrâneo e a grandes impérios como o Egito e a Assíria.
As trocas culturais entre o povo hebreu com outros povos tribais e pastoris e grandes civilizações levaram a formação da sociedade judaica e do judaísmo, pouco antes da ascensão do Império Romano e do cristianismo, berços da sociedade ocidental moderna.
O que de fato leva a entender que o monoteísmo judaico e a Bíblia Sagrada como narrativa pronta, acabada e uníssona, foram construções no decorrer da Antiguidade, frutos da dominação de discursos de sacerdotes hebreus a fim de moralizar e uniformizar o povo; a busca por uma identidade que os distinguisse dos povos no entorno, fato proporcionado pelo monoteísmo; a interação cultural de histórias míticas com povos próximos; e o incrível poder de mobilização.
O pensamento e a sociedade ocidental hoje se deve, em grande parte, a formação da sociedade judaica, que é fruto da sociedade hebraica, nascida das entranhas das primeiras civilizações centro-orientais.
Leonardo Ferrari Silva, historiador formado pelo Centro Unificado de Educação Barretos (Faculdade Barretos), pós-graduado em educação e professor na cidade de Cosmorama-SP.