Artigos
O medo da morte
Um dos maiores fantasmas que perturbam a pessoa humana é o medo de morrer. Todos nós temos esta preocupação, porém, poucos pensaram qual é o motivo deste medo. É muito importante que nós nos façamos esta pergunta para descobrirmos a origem e o porquê deste medo.
Ficaríamos sabendo que o medo é de origem diabólica. Começou com a serpente do paraíso que levou Eva a desconfiar do Criador e comer da fruta proibida. A partir deste momento, Adão Eva e todos os seus descendentes ficaram vítimas da vergonha, do medo, e da morte eterna. Só se salvaram da morte eterna aqueles que continuaram provando a sua confiança no Criador, acreditando na promessa de que Ele enviaria outra mulher, que seria a mãe do seu povo e os livrariam da morte eterna. Mas continuariam sujeitos ao medo e à morte corporal.
Deus quer demonstrar-nos que Ele não quer a morte de ninguém, mas que todos se convertam e vivam. Por isso, na liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum, celebrado no domingo (24), no primeiro livro de Samuel (28,2-23) encontramos a história do Rei Davi que libertou o povo de Israel dos seus inimigos matando o gigante Golias. Por isto, o povo elogiava a coragem de Davi de tal forma que Saul, que o povo havia escolhido como rei, mas que não tinha coragem de enfrentar o inimigo por causa do gigante, ficou com ciúmes e queria matar a Davi. Um dia, reuniu os seus soldados e foi procurá-lo no deserto. De noite “Davi e Abisaí foram visitar o acampamento e encontraram Saul dormindo com a sua lança à cabeceira, fincada no chão. Abisaí disse a Davi: ‘Deus entregou hoje em tuas mãos o teu inimigo. Vou cravá-lo em terra com uma lançada e não será preciso repetir o golpe’. Mas Davi respondeu:‘Não os mates’”. Então “Davi apanhou a lança e a bilha que estavam juntos a cabeceira de Saul e foram embora. Atravessou para o outro lado, parou no alto do monte. Davi disse: ‘Aqui está a lança do rei. Venha um dos servos buscá-la!’”.
Jesus, que veio com a missão de estabelecer de novo o Plano de Deus e, conforme São Lucas (5,27-38), nos revela que veio não só para reparar o nosso pecado e nos devolver a possibilidade de conseguir a vida eterna, mas também para termos uma vida mais feliz neste mundo. Por isso, Ele diz: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Bendizei aos que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam”. Estes conselhos que nós conhecemos e não concordamos com eles, e nos custa colocá-los em prática, são muito importantes para a nossa saúde corporal e para a nossa vida espiritual. Fazer o contrário como: guardar ódio, ter inveja, desejar o mal, ter ciúmes, querer vingança, e outras coisas semelhantes, nos tiram a alegria de viver e a paz da nossa consciência, transformam-nos em pessoas tristes e pessimistas. Ele veio “para que todos tenhamos vida em plenitude”.
São Paulo, na sua primeira carta aos cristãos de Corinto (1Cr.15,45-49),diz: “Irmãos, o primeiro homem, Adão, foi um ser vivo. Afastou-se de Deus e transformou-se em instrumento da morte. O segundo Adão é um espírito vivificante”. Jesus, não é só um ser vivo, é também um ser vivente com poder de transmitir a vida material por ser uma pessoa como as outras, e também a vida espiritual, por ser o filho de Deus. Passando a ser o exemplo a ser imitado por todos os que desejarem ser cristãos de verdade. Também eles são chamados a serem espíritos viventes e transmissores da vida.
Monsenhor AntonioSantcliments Torras
Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia