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Perdido na estrada
Com este título, podemos centralizar toda a mensagem que Deus nos convidou a meditar durante a celebração do 30º Domingo do Tempo Comum, celebrado no último domingo (28). Embora hoje, não seja só um perdido na estrada, mas milhões de homens, de mulheres, e de crianças, que andam perdidos pelo mundo procurando um país onde sejam acolhidos, um lugar para construir o seu barraco, ou um serviço para sustentar a família, enfrentando todos os perigos da terra e do mar. Suportando a humilhação e o desprezo de toda asociedade, das autoridades que dominam os povos, e que deveriam cuidar deles, mas preferem ignorar que eles existem. São bilhões de seres humanos que vivem, nesta situação; e nós, talvez, estranhemos que Deus nos convide a pensar neles na Liturgia da Palavra passada.
Todos nós sabemos que Deus construiu um grande e bonito jardim para morada de todos os seus filhos e repete com frequência: “A terra é minha!”. De fato, quem se julgar ser o dono precisará deixar a terra e ficará para outros. E quem prestará contas pela sua administração? Jesus nos adverte que precisará prestar contas, e de acordo com elas, receberá a recompensa. Jesus resume toda a mensagem na pessoa do filho de Timeu que, por ser cego, estava sentado à beira do caminho pedindo esmola (Mc 10,46-52): “Quando ouviu dizer que, Jesus, o nazareno, estava passando, começou a gritar: ‘Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!’. Muitos o repreendiam para que ele se calasse”. Porque eles queriam ouvir o que Jesus estava falando, como nós, que não temos muito interesse em ouvir a Palavra de Deus, porém, ainda nos incomodam mais os problemas dos irmãos. “Mas Jesus parou, deixou de falar, e disse: ‘Chamai-o!’”. E Ele fez isso para ensinar-nos que o mais importante não são as palavras, e sim as obras. Que o mundo está nesta situação porque todos vemos a realidade, uns ficam rezando, outros ficam lamentando, mas faltam os gestos da verdadeira justiça que é o fundamento da paz e da felicidade social. “Eles o chamaram e disseram: ‘Coragem, levanta-te, Jesus te chama!’. O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: ‘O que queres que Eu te faça?’. O cego respondeu: ‘Mestre, que eu veja!’. Jesus disse: ‘Vai a tua fé te curou’. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho”.
O nosso estimado Papa Francisco quis chamar a atenção sobre este problema no mundo de hoje deixando o Vaticano para fazer uma rápida visita ao Parlamento Europeu, para cumprimentar os parlamentares e pedir-lhes que abrissem as portas da Europa para os emigrantes e: “Não queiram transformar o Mar Mediterrâneo num cemitério”. Uns dias antes, ele deixou o Vaticano para visitar aquela ilha, no sul de Itália, onde milhares de emigrantes que, para fugir da guerra e da fome, morrem afogados. Depois de fazer uma prece, jogou uma coroa de flores ao mar.
Este é o resto do povo de Israel que Jesus veio reunir, e de que nos fala oprofeta Jeremias (31,7-9).Do resto de Israel fazia parte o cego de Jericó, e fazem parte, também, todos estes milhões de homens, de mulheres e de crianças que andam procurando um lugar no mundo. Eles representam um problema para a sociedade, são mão de obra barata para os ricos, e instrumento para serem usados pelos poderosos. Mas são os preferidos de Deus. Para eles Jesus garante: “Felizes vós os pobres porque vosso é o Reino do céu”. Jesus diz, também: “Ai de vós ricos!Porque já receberam a recompensa!”.
Monsenhor AntonioSantcliments Torras – Vigário paroquial da Paróquia São João Batista de Olímpia