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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Deus está a uma oração de distância

“A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de compreender” (São João Maria Vianey). Esta é uma das mais lindas e mais completas definições de oração que temos e nos instiga a experimentar esse Deus à semelhança dos grandes místicos da história do cristianismo.
Bastariam algumas palavras sinceras brotadas do mais profundo do coração humano e pronto, Deus se torna uma companhia tão próxima e acessível como quando falamos com qualquer outra pessoa; mistério incompreendido aos olhos da razão, mas facilmente sentido com o coração. A oração tem o poder de nos elevar; possibilita saborear antecipadamente a felicidade do céu. “Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol”, nos ensina ainda São João Maria Vianey.
Quantos benefícios podem ser alcançados pela oração, não na forma como estamos habituados, de pedir coisas apenas, mas no sentido harmonizar o espírito, amadurecer nas virtudes mais fundamentais para vida, nos moldar e nos aperfeiçoar enquanto filhos de Deus, imagem e semelhança dele. A oração é um diálogo edificante com a Sabedoria por excelência que é Deus; nunca permanecemos os mesmos quando desenvolvemos a prática de rezar diariamente, ela nos modela na medida do que Deus sonha para cada um de nós.
Quantos de nós experimentamos, por vezes, o vazio, a solidão, o abandono, a incompreensão, dramas humanos que, aos olhos dos entendidos, têm se intensificado em nosso tempo, por inúmeros fatores dos quais não entraremos no mérito, mas que podem ser traduzidos como uma sede de sentido da vida; desejo de plenitude, de infinito, de eternidade. A oração tem essa capacidade de orientar o espírito para a compreensão dos verdadeiros valores capazes de dar a vida um pleno significado; ela ainda nos preenche e nos permite experimentar a eternidade de Deus da qual um dia participaremos.
Não precisamos de palavras elaboradas, vocabulário perfeito ou pleno conhecimento bíblico e doutrinal para rezar, ao contrário, o segredo está na simplicidade do coração e na espontaneidade próprias de quem cultiva uma intimidade com Deus. No fundo a oração é isso, assemelha-se aquela conversa gostosa, espontânea e sadia que temos com nossos amigos e pessoas que amamos; por isso que a prática da oração só ocorre de fato à medida que fazemos uma verdadeira experiência de Deus; quando há um encontro decisivo com Ele, aí a oração deixa de ser apenas uma prática exterior ou mero cumprimento de preceito e passa a ser uma necessidade da alma.
Deus está a uma oração de distância, nos lembra o padre Fábio de Melo, de fato, Deus é mais próximo do que imaginamos; Ele é assim, quer ser assim, nunca esteve longe, Deus é presente, mas respeita nossa liberdade, não nos invade, não se impõe, apenas se propõe e a oração ainda é uma das formas mais ordinárias para se abrir à Ele, para conhecê-lo e estabelecer com Ele um caminho de amizade e intimidade jamais experimentado, por melhores que sejam os nossos relacionamentos.
Tão fácil e tão simples, talvez por isso não compreendida no seu verdadeiro valor. Experimentemos a extraordinária aventura de falar com Deus todos os dias e sempre que quisermos, exercitemos a escuta do Espírito e a docilidade do coração e vejamos o quanto Deus é maravilhoso. Rezar pode ser a mais fascinante atividade do seu dia a dia, mesmo que escondida na simplicidade e no anonimato de suas ações.

Diácono Fernando Felix Rabelo
Diocese de Barretos

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