Ir para o conteúdo

sábado, 20 de julho de 2024

Notícias

Pantanal Enfrenta Maior Crise Hídrica das Últimas Décadas, Alerta Estudo

Um estudo inédito lançado nesta quarta-feira (3) pelo WWF-Brasil em parceria com a empresa ArcPlan revelou que o Pantanal enfrenta desde 2019 o período mais seco das últimas quatro décadas, com previsões alarmantes para 2024. Segundo o levantamento, o bioma está caminhando para a pior crise hídrica já registrada, com impactos severos em sua biodiversidade e no modo de vida das comunidades locais. O estudo utilizou dados avançados do satélite Planet para mapear a área coberta por água, constatando que nos primeiros quatro meses deste ano, quando deveria ocorrer o ápice das inundações, a média foi inferior à do período de seca do ano anterior.

Helga Correa, especialista em conservação do WWF-Brasil e coautora do estudo, enfatizou a gravidade da situação: “Graças à alta sensibilidade do sensor do satélite Planet, pudemos observar que o pulso de cheias não ocorreu em 2024. O nível do Rio Paraguai, essencial para o Pantanal, esteve 68% abaixo da média esperada nos cinco primeiros meses deste ano, indicando uma seca intensa que tende a se agravar até outubro.”

A preocupação com as consequências da seca prolongada é evidente. A média da área coberta por água no período de janeiro a abril de 2024 foi de 400 mil hectares, menor do que a registrada na estação seca de 2023, o que indica um ciclo de redução contínua das áreas alagadas, fundamentais para a manutenção do ecossistema pantaneiro.

Os impactos não se limitam apenas à biodiversidade, mas também afetam diretamente a economia local, que depende da navegabilidade dos rios e da preservação das condições ambientais favoráveis. A perda de áreas úmidas e a intensificação das secas extremas podem levar a mudanças irreversíveis no ecossistema, prejudicando a fauna, a flora e os serviços ambientais prestados pelo Pantanal.

Diante desse cenário crítico, o estudo recomenda a adoção urgente de medidas preventivas e adaptativas, incluindo a ampliação de políticas públicas para frear o desmatamento, a restauração de áreas de Proteção Permanente (APPs) nas cabeceiras dos rios e o apoio a práticas sustentáveis nas comunidades locais. A colaboração entre diferentes setores da sociedade é fundamental para enfrentar os desafios impostos pela mudança climática e pela degradação ambiental no Pantanal.

Compartilhe: