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segunda-feira, 20 de maio de 2024

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Médico desmistifica fato de que quem usa cigarro eletrônico tende a parar com o tradicional

Na última sexta-feira (19), a diretoria colegiada da Anvisa decidiu por manter a proibição de cigarros eletrônicos no Brasil. O Dr. José Luiz Iunes Filho, médico pneumologista adulto e infantil (CRM-SP 108976 / RQE 50810), em entrevista exclusiva ao ‘JBR’, explicou sobre os males que esses dispositivos causam.

De acordo com o Dr. Iunes, “já temos no Brasil três milhões de usuários de cigarro eletrônico, e o número não para de crescer, sendo que a grande maioria dos usuários é jovens, menores de 21 anos”, afirmou.

“O cigarro eletrônico é uma nova forma de consumir a nicotina. Já existia a forma no cigarro convencional, agora vem uma nova roupagem para consumir a mesma droga. E a nicotina utilizada nele é líquida, sendo bem mais potente e viciante”, disse o médico.

Ele explicou que, “o cigarro eletrônico tem mais ou menos uma média de 60mg de nicotina, o que equivale a pelo menos três maços de cigarro convencional dos mais fortes”.

“No cigarro convencional há mais de 7.500 substâncias, conhecidas são mais de 4.800. Dessas, sabidamente, mais de 70 causam câncer, e elas também estão presentes no cigarro eletrônico”, esclareceu.

Para o médico, é um tipo de dispositivo que vem trazendo mais problemas ainda, porque vemos uma utilização excessiva da nicotina. “Ele foi preparado de uma forma que a pessoa consegue consumir sem muita irritação na garganta, tem sabor, cheiro, e tudo isso facilita para o usuário consumir de uma forma, relativamente, tranquila”, disse.

Dr. Iunes revelou que o cigarro eletrônico tem uma doença que é exclusiva dele, a EVALI (lesão pulmonar induzida pelo cigarro eletrônico), nas palavras do médico, “resumidamente é uma lesão aguda no pulmão, que tem causado mortes nos Estados Unidos e no Brasil há registros de adolescentes que tiveram essa doença, e até de adultos, inclusive, famosos. Já tive pacientes, principalmente jovens, que já tiveram EVALI, crises de bronquite grave, quadros de infecção de pneumonia. Esses casos estão ficando muito frequentes”, contou.

Ele ainda desmistifica o fato de que quem usa o cigarro eletrônico tende a parar com o cigarro comum. “Mais de 90% das pessoas que consomem cigarro eletrônico não era usuário de cigarro normal. Estamos vendo algo acontecer com o uso do cigarro eletrônico, que não víamos antes com o cigarro convencional, que são as intoxicações agudas, causadas pela nicotina”, afirmou.

O médico esclareceu que o cigarro eletrônico chegou com uma proposta de diminuir os danos do cigarro normal, “mas essa foi a forma que a indústria do tabaco usou para trazer esse dispositivo. Porque a verdade é que este não serve para tratamento do tabagismo, e pelo que temos visto, hoje, a maioria das pessoas que fumam o eletrônico, nunca fumaram o cigarro tradicional”.

De acordo com Dr. Iunes, o INCA (Instituto Nacional de Câncer), realizou um estudo que concluí que a pessoa que começa a fumar o cigarro eletrônico, tem quatro vezes mais chances de ser dependente do cigarro convencional, “e depois, acaba fumando os dois”, finalizou.

Foto: José Luiz Iunes Filho, médico pneumologista

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