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sábado, 20 de julho de 2024

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Brasil pode ter deixado de registrar 24,1 mil homicídios de 2019 a 2022, revela Atlas da Violência 2024

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta terça-feira (18) os alarmantes resultados do Atlas da Violência 2024, apontando que o Brasil pode ter subestimado em 24,1 mil o número de homicídios entre os anos de 2019 e 2022. Essa cifra representa aproximadamente 11,3% do total estimado de assassinatos no país durante o período analisado.

Daniel Cerqueira, diretor de Políticas, Instituições e Democracia do Ipea, explicou que a subnotificação ocorre devido a problemas na identificação das circunstâncias das mortes violentas. “Quando uma pessoa morre de morte violenta, o médico legista muitas vezes não consegue determinar se foi homicídio, suicídio ou acidente. Essa indefinição nas declarações de óbito resulta em um número significativo de casos não registrados”, afirmou Cerqueira.

O Atlas da Violência 2024 destaca que a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que oficialmente foi de 21,7 em 2022, poderia chegar a 24,5 se considerarmos os homicídios ocultos. Essa diferença evidencia a importância de uma análise mais criteriosa e integrada dos dados para compreender a realidade da violência no Brasil.

Além das consequências estatísticas, a subnotificação de homicídios compromete políticas públicas voltadas para a segurança e o enfrentamento da violência. Cerqueira também apontou para a deterioração na qualidade dos dados nos últimos anos, atribuindo parte desse problema ao enfraquecimento das estruturas de saúde e à falta de investimento em tecnologia e capacitação.

O estudo do Ipea não apenas revela a gravidade da subnotificação de homicídios no Brasil, mas também destaca a necessidade urgente de melhorias nos sistemas de registro e integração de dados entre as instâncias governamentais. A correção dessas distorções é essencial para um enfrentamento eficaz da violência e para a elaboração de políticas públicas mais precisas e direcionadas às necessidades reais da população.

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