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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Artigos

O mundo é regido pelos fracos

A mais firme convicção nitzscheana é a de que o mundo é regido pelos fracos – esse é o ponto de partida de qualquer filosofia. Ou melhor, o mundo é regido por forças que Nietzsche julga serem reativas. O autor divide o mundo da vida em dois tipos de força: ativa e reativa. Há forças ativas e reativas que regem as pessoas – ora uma predomina, ora a outra. As pessoas são mais regidas pelas forças ativas quando a sua conduta revela suas pulsões e força vital. Força ativa é a força movida a partir da pulsão de quem age, ao contrário da força reativa. A força reativa só existe como reação à força ativa, então, quem é movido por uma força reativa age porque o outro agiu, para se opor, para se contrapor, para enfrentar, para obstruir e, em última instância, para anular o desejo que é do outro. Um exemplo de força ativa é um jogador de futebol, como Ronaldinho Gaúcho, driblando a bola durante um jogo, em pura atividade. Um exemplo de força reativa é um zagueiro, como o Ronaldão, marcando o Ronaldinho Gaúcho nesse jogo. Outro exemplo de força ativa é um pintor que se manifesta através da pintura, e outro de força reativa é outro pintor que copia o primeiro para vender quadros em série.
Quem inventou a moral? Alguém regido pela força ativa ou reativa? Obviamente pela reativa, pois ninguém que é regido pela força ativa faz regras, porém, a vitória é sempre das forças reativas. Isso porque, como a causa motriz da reatividade é a ação do outro, a força reativa permite associação e aliança. Já a força ativa tem como mola motriz a paixão de quem age, e nisso não há aliança possível, pois a paixão de um não se alia com a paixão de mais ninguém. Se uma pessoa ativa morrer, a reativa não tem mais a quem perseguir.

Clóvis de Barros Filho é um jornalista, filósofo e professor

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