terça-feira, 20 de outubro de 2020

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Carta ao amigo Ricardo Tadeu Marques

Querido amigo e irmão!
Hoje, 10 de junho, faz seis meses que você foi morar ao lado Pai, juntando-se à plêiade de artistas barretenses inesquecíveis que estão aí em cima.
Mais do que um amigo fiel e verdadeiro você sempre foi um ser humano de coração gigante. Quanta saudade! Quanto sofrimento você passou! Que luta você travou contra o câncer, em seus últimos anos de vida! Felizmente você teve ao seu lado seus amigos e familiares, sempre a lhe dar o maior carinho. Hoje, com toda certeza você está bem melhor! Apesar de uma perda irreparável, levo seu carinho, sua amizade e seu companheirismo na memória e agradeço sempre por tudo que vivemos.
Você se lembra? Nos conhecemos no Teatro Cacilda Becker, em 1975, e de lá para cá vivemos tantas histórias juntos! Só no glorioso G.T.A.A.B. – Grupo Teatral “Amor à Arte” de Barretos, convivemos por mais de trinta anos e batalhamos pelos ideais culturais de nossa cidade. Em nossa última participação, você na direção e eu na assistência, no espetáculo “A Paixão de Cristo”, em 2018”, na Praça Francisco Barreto. Que luta você travou nos ensaios, sofrendo dores horríveis, mas você não esmoreceu e conduziu, maravilhosamente, um elenco de mais de 50 artistas.
Apesar da dor, depois que você partiu, o fim do ano foi tranquilo, festejamos o Natal e Ano Novo, previsões de um ano melhor, menos violência, muita saúde, paz e muito dinheiro no bolso. No entanto, amigo, uma penumbra de medo e incertezas abateu-se sobre a Terra, uma pandemia que assola o mundo todo: o coronavírus, chamado de COVID 19, pelo OMS – Organização Mundial da Saúde, comparada apenas à Gripe Espanhola, em 1918. Hoje, não podemos sequer, dar um abraço, um aperto de mão, não podemos nos aglomerar, estamos em distanciamento social, com o jargão ‘FiqueEmCasa’, principalmente, as pessoas do grupo de risco, acima de 60 anos, em que eu me encaixo. Novos hábitos abruptos foram incorporados, como, quem precisa sair de casa tem que usar máscaras para tapar a boca e o nariz, lavar as mãos a toda hora com sabão ou álcool em gel, desinfetar as roupas e sapatos, quando retornar da rua. E muita gente insiste em não seguir à risca as recomendações. Muitos foram infectados e perderam a vida, outros se recuperaram. É luta contra o inimigo invisível, até parece que somos protagonistas de um filme de ficção científica, no entanto é uma triste realidade!
A sociedade está um pandemônio! Neste ano, só o carnaval permaneceu em sua data original, por negligência, mas adiaram a Olimpíadas 2020 para 2021; o nosso Corinthians não joga mais, a exemplo de todos os outros times de futebol do mundo, os campeonatos estão suspensos e as corridas de fórmula 1 também; as reuniões somente pela internet; as igrejas não recebem fiéis; não existem atividades culturais presenciais da ABC; as festas juninas estão suspensas; os feriados foram antecipados; não existem espetáculos musicais e teatrais, com presenças de público, os artistas estão fazendo ‘lives’, transmitidas pela Internet; as novelas e programas de auditório são reprises, ao vivo só noticiários; o comércio, o shopping, as escolas estão fechados há mais de dois meses, muita gente perdendo o emprego, muitas empresas falindo. E imagine só! Até a nossa Festa do Peão não será em agosto, mas sim em outubro!
É amigo, o mundo está de pernas pro ar!
Olhe por todos nós!
Descanse em paz!
Seu amigo, Merenda

José Antonio Merenda
Ator e diretor teatral
Presidente da ABC – Academia Barretense de Cultura

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