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terça-feira, 13 de abril de 2021

Artigos

CAIXA – 160 ANOS Desde o ‘Monte de Socorro’ uma vocação social

Caro leitor,
Hoje a CAIXA completa 160 anos!
Nesse longevo tempo de existência, sua história confunde-se com a própria história da emancipação política, econômica e social do Brasil, pois vem em um constante trabalho de elevação dos níveis sociais e econômicos do povo brasileiro. Criada pelo Decreto 2.723, de 12 de janeiro de 1861, assinado por Sua Majestade Imperial D. Pedro II, e instalada na Rua da Misericórdia, na pacata e provinciana cidade do Rio de Janeiro, sede do Império, a 4 de novembro do mesmo ano, a ‘Caixa Econômica e Monte de Socorro’, floresceu para incentivar a população do 2º. Império a poupar, entre ela os escravizados, que sonhavam em economizar e com os juros comprar a Carta de Alforria, e conquistar, assim, a tão almejada liberdade, com a garantia do Governo Imperial,
Em uma época em que a população do Brasil não chegava a dez milhões de habitantes, com uma economia agrária semifeudal, baseada no trabalho escravo, os trabalhadores livres eram raríssimos, tendo como principal produto de exportação, o café e, em meio ao início da Guerra Civil Americana, D. Pedro II, o grande estadista brasileiro, não poderia imaginar que estava criando uma instituição que sobreviveria à queda do Império e diversas trocas de governo do regime republicano.
A sua missão primordial era de acolher depósitos populares e cultivar o hábito de poupar, com o famoso jargão ‘fazer o pé-de-meia’, que foi cumprida com galhardia. O seu cliente número um foi o gaúcho Antonio Álvares Coruja, um antigo militante farroupilha e entre os escravizados, consta o nome de Henrique 2º – ‘escravo da nação’. A CEF, como era conhecida, constituía-se por 22 Caixas Econômicas Federais, implantadas paulatinamente, além da Corte, nas diversas províncias, operando em âmbito provincial e posteriormente estadual, até que, em 1969, houve a fusão em uma só Empresa Pública, tornando-a mais forte, eficiente, segura e de forma padronizada, com Matriz no Rio de Janeiro e filiais em cada Estado e Distrito Federal. Somente em 1978, a Matriz da CAIXA inaugurou sua sede em Brasília.
A Caixa Econômica Federal foi utilizada pelos sucessivos governos republicanos em seus mais audaciosos programas socioeconômicos, apoiando-os e executa-os, tornando-se cada vez mais diversificada e com maior visibilidade. Em seu rol de serviços sociais, estão entre outros: Empréstimos sob Consignação; Loteria Federal e outras loterias; Empréstimo sob Penhor; Sistema Financeiro de Habitação e o sonho da casa própria; PIS – Programa de Integração Social; FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; Crédito Educativo, o atual FIES; Bolsa Família; Minha Casa, Minha Vida; e, mais recentemente, a CAIXA se mostra baluarte na gestão do ‘Auxílio Emergencial’, para socorrer os trabalhadores na pandemia da COVID-19, que atinge a todos sanitária e economicamente.
Em 31 janeiro de 1956, assumia a presidência da República, o mineiro Juscelino Kubstichek, tendo como amigo particular, colaborador e superintendente da Fundação da Casa Popular, no Rio de Janeiro, programa habitacional do governo, considerada precursora do BNH, o barretense Marcial do Lago, vindo a inaugurar a 17 de setembro de 1956, a primeira Agência da CAIXA em Barretos, localizada na av.19, Edifício Baroni. Hoje, a cidade possui duas modernas agências, a central, na Rua 20 e a Parque do Peão, na Av. 43, ganhando cada dia que passa a empatia dos trabalhadores e clientes.
Em 19 de agosto de 1975, quando contava com 19 anos de idade, tive o privilégio de passar a integrar o quadro de empregados da CAIXA, egresso do 2º Concurso Público, sendo o meu primeiro e único emprego, onde cresci como pessoa e profissionalmente, e digo, fui um pedacinho de um todo, entre homens e mulheres que fizeram a grandeza da CAIXA, sempre com um sentimento de renovação, convivência e emoção diária ao atender o público. Desde 19 de janeiro de 2011, estou aposentado, após exatos 35 anos e 5 meses de atividade ininterrupta.
Fonte: A Caixa através dos Tempos (1976)
José Antonio Merenda
Historiador, presidente da ABC – Academia Barretense de Cultura, Aposentado da CAIXA.

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