segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

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VISITA AO OCULISTA

Bom Dia Barretos. Ontem recebi, em meu consultório, um paciente que dizia estar vindo do oculista, e que, não satisfeito, passou também pelo médico de ouvido. Surpreso, perguntei-lhe o que o levou ao oftalmologista e em seguida ao otorrinolaringologista. Disse-me ele, que pensava estar sofrendo de uma distorção da visão e da audição ao mesmo tempo. Mas por que? Voltei a lhe interrogar. Revelou-me que, inconformado com a visão distorcida do que está ocorrendo em nossa pátria, pensou tratar-se de uma deficiência visual, razão pela qual procurou o oculista. E de tanto ouvir incoerências, também pensou tratar-se de um distúrbio auditivo.
Como, visão e audição distorcidas, voltei a indagar? – Veja doutor, respondeu-me, estamos vivenciando uma disputa eleitoral para escolher o novo presidente do Brasil. Procurei acompanhar os debates e os programas eleitorais para poder exercer conscientemente meu voto. Em vez de ver e ouvir propostas para tirar o país da crise econômica e moral que se encontra, apenas vi e ouvi críticas e agressões entre os concorrentes, principalmente dirigidas ao candidato melhor posicionado nas pesquisas.
Não é sensato, nem poderia ser real, o que vinha presenciando. Tudo isso, pensei, deve ser consequência de uma deficiência visual e auditiva minha, e seria imaginário o que tenho visto e ouvido nos debates eleitorais, bem como nas propagandas políticas. Os candidatos não expõem programas, nem suas visões de como melhorar a vida de nosso povo, não apresentam propostas concretas para tirar o país da grave crise econômica e moral pela qual estamos passando, o que me levou a crer que, ou eu estava passando por alterações visuais e auditivas, ou os candidatos apenas buscam o poder pelo poder e não para servir à pátria, e ao nosso povo.
Você percebeu também, que é o nosso dinheiro, dinheiro que o governo tira de nossos bolsos, com impostos cada vez mais abusivos, que financia os programas eleitorais? Percebeu também que a finalidade de tais programas era expor ideias e propostas dos candidatos, para que tomássemos conhecimento? Por que então, as agressões e tentativas de confundir os eleitores, com meias verdade ou mesmo inverdade, para não dizer mentiras, como vêm ocorrendo?
São os marqueteiros que definem o que o candidato deve, ou não deve dizer, distorcendo totalmente a finalidade dos programas eleitorais. Em quem acreditar, porque acreditar se o que vemos e ouvimos não parte dos candidatos, mas sim de seus marqueteiros, que traçam as estratégias, depois de pesquisarem como o eleitorado reagiria, com tal ou qual propaganda.
Está difícil, concluiu. Gostava mais do tempo dos comícios, onde víamos e ouvíamos propostas concretas, da boca dos candidatos, e então tomávamos nossas decisões, mas tais tempos não voltam mais. Só mesmo com inspiração divina para acertar no voto, e concluiu: que DEUS nos ilumine.
Confesso, tive que concordar com ele, que DEUS nos ilumine.
Bom Dia Barretos.

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