quarta-feira, 18 de setembro de 2019

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Suicídio: problema nosso!

 A Organização Mundial de Saúde (OMS) define suicídio como “ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja a intenção seja a morte de forma consciente e intencional, usando um meio que ele acredita ser letal”. Simplificando, é o ato de matar a si próprio. 

Os dados oficiais sobre o suicídio são alarmantes: uma morte a cada 40 segundos no mundo. No Brasil, suicídio é considerado problema de sáude pública. Em 2014, ocorreram mais de 10.600 casos. Cerca de 32 brasileiros suicidam-se diariamente e é a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

Espantoso é saber: o suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos. Com o objetivo de mostrar a importância de falar sobre o assunto,  desde 2015, o Brasil celebra o ‘Setembro Amarelo’, por ser o 10 de setembro mundiamente dedicado à prevenção ao suicídio. Sua inspiração remonta a 1994, quando um jovem de apenas 17 anos suicidou-se dirigindo um carro amarelo. No funeral, familiares e amigos distribuiram fitas amarelas visando confortar quem sofresse o mesmo desespero que Mike. A campanha alcançou o mundo.

Conhecer é a base para prevenir. É importante e necessário desmistificar questões que permeiam o ato do suicídio considerado ainda um tabu por toda a sociedade. Quem se mata torna-se, ao mesmo tempo, vítima e vilão. Vítima de sua própria dor; vilão, por infringir contra a vida, o bem mais precioso, além de deixar marcas profundas de dor, sobretudo, nos familiares, condenados a conviver com dúvidas.

Em relação às possíveis motivações do suicídio, enquanto o sociológo francês Émile Durkein defende que as causas estejam ligadas mais a comportamentos coletivos do que individuais, Edwin Shneidmam, considerado o pai da suicidologia (ciência que estuda as causas do suicídio com um olhar significativo para as formas de prevenção), relaciona o suicídio a um ato mais ligado ao indivíduo do que a questões externas.  

Dor, perturbação e pressão são consideradas por Shneidman como principais variáveis que culminam no ato do suicídio: a dor psicológica, originada da frustração pelo não alcance de objetivos, a pertubação referente a distúrbios como distorções cognitivas e automutilações e a pressão relacionada a elementos externos e internos a cada pessoa.

A maior parte das pessoas que se suicida não quer morrer. Acontece que elas veem essa opção como a única solução para seus problemas e, sobretudo, para sua dor, seu sofrimento. Alguém só se mata no auge do desespero. 

Ultrapassemos a cortina de ferro importa ao assunto. A coragem de abordar sadiamente a questão, certamente, abrirá caminhos que torne cada vez mais possível evitar 90% dessas mortes. O problema é nosso! 

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

ivanpsicol@hotmail.com

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