quarta-feira, 26 de setembro de 2018

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SONHO DE OUTONO

Bom Dia Barretos. Depois de passar uma longa temporada sem sonhar, na semana que se encerra, tive uma recaída. Talvez influenciado pelo bombardear contínuo dos telejornais, a respeito das operações da lava jato, das denúncias contra empresários e políticos, das manifestações de simpatizantes da direita e da esquerda, acabei dormindo com tal emaranhado na cabeça, levando-me a sonhar por toda a noite.
Fui transportado nas asas do sonho até uma nova galáxia, e nela a um outro sistema solar, e nele a um planeta muito semelhante à terra. Andando por suas ruas, uma cena chamou minha atenção. Algo que nunca tinha visto no Brasil. Num restaurante, que me pareceu ser frequentado pela classe mais avantajada, uma mesa na calçada sob um generoso guarda-sol, abrigava três pessoas, que conversavam enquanto tomavam algo.
O inusitado, para mim, quase inconcebível no Brasil, foi encontrar desfrutando do mesmo guarda-sol, um magnata, um cidadão do povo e um ruão, ou seja, uma pessoa que vive na rua. Não me contive, tomei acento numa mesa próxima e acompanhei parte da conversa. Discutiam as distorções da política praticada pela esquerda e pela direita. Tinham sido na juventude, colegas de escola e o destino fez com que naquele dia, se encontrassem naquele boulevard, quando o colega abastado fez questão de pagar uma bebida e juntos relembrarem suas trajetórias.
O primeiro dizia que após receber o diploma do curso técnico, revoltado com a direita que explorava o trabalhador, rejeitou empregos sucessivos, foi se afundando em dívidas e bebida, tornando, como podem ver hoje, num mulambo, comendo o que almas generosas oferecem e dormindo pelas calçadas ou debaixo das pontes da metrópole. O segundo, dizia que após o termino do curso, também ficou revoltado com os baixos salários oferecidos, mas percebeu que de nada adiantaria nadar contra a maré, se curvou ao sistema, encontrou um emprego razoável, ganhando o suficiente para ir sustentando sua família, e nele permanece até hoje. Engraçado, retrucou o terceiro; eu também tive a mesma duvida que os atormentou, sai do curso com ideias fervilhando em minha cabeça, encontrei um mercado de trabalho empedernido, mas disse a mim mesmo: Se outros conseguiram vencer por que não eu. Aceitei o primeiro emprego que me apareceu, fiz o máximo de horas extras que me permitiam, amealhei algum recurso e montei um pequeno negócio. Me dediquei a ele 24 horas por dia, e o fui ampliando gradativamente. Acabei abrindo uma primeira filial, depois outras. Tempos depois me aventurei a começar um novo empreendimento, sem porem abandonar o primeiro, e assim passo a passo me tornei o empreendedor de hoje.
Ouvindo tudo pensei: Para mim foi o bastante. Acabei de tomar meu suco e confabulei com os meus botões. Realmente não dependemos de sistemas de governos, de ajuda governamental e muito menos de incentivos fiscais, basta-nos a vontade, a determinação, a persistência e a coragem de enfrentar os desafios de cada dia. Ainda confabulando, acordei e dei graças a DEUS por mais um dia de vida.

BOM DIA BARRETOS.

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