quarta-feira, 16 de outubro de 2019

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Sínodo da Amazônia

Caríssimos irmãos e irmãs,
Entre os dias 06 a 27 de outubro de 2019, realiza-se em Roma, a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, convocada pelo Santo Padre, o Papa Francisco, cujo tema é: “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.
O Sínodo é órgão permanente da estrutura da Igreja instituído pelo Papa São Paulo VI, em 1965, no período do Concílio Vaticano II. Seus membros convocados diretamente pelo papa são chamados a colaborar com ele em assuntos que dizem respeito à Igreja e à sua missão. No caso do Sínodo da Amazônia, ele foi convocado pelo Papa Francisco em outubro de 2017.
A Região Amazônica se estende a nove países: “Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia”, e consta de 30 milhões de habitantes. Para termos uma ideia da vastidão deste território, ele ocupa 70% do território boliviano, 65% do território peruano e 32% do território brasileiro.
Esta não é a primeira que se realiza um sínodo para tratar da vida e da missão da Igreja num determinado território. No Pontificado de São João Paulo II realizou-se sínodos especiais para tratar da vida e missão da Igreja na Oceania, na Holanda e no Líbano. E os desafios elencados para a discussão do Sínodo da Amazônia: a evangelização e a ecologia integral, para citar apenas alguns, não são diferentes dos tratados em outras ocasiões como o processo de secularização, o flagelo da guerra, a inculturação do Evangelho nas mais diversas culturas.
Não são poucos os que polemizam em torno do Sínodo da Amazônia afirmando que se trataria de uma traição à Doutrina e Tradição da Igreja. Infelizmente, este tipo de acusação surge de grupos mal informados e mal intencionados que ignoram a Doutrina Social da Igreja que foi se elaborando no decorrer do século XX, graças ao empenho dos papas daquele século que corajosamente pronunciaram e tomaram posição em relação ao papel da Igreja no mundo contemporâneo.
Na verdade é impossível pensar a missão cristã num determinado lugar sem que ela repercuta, de alguma maneira, politicamente. Santo Oscar Romero (19171980) dizia que “em um país de injustiças, se a Igreja não é perseguida, é porque é conivente [com a injustiça]”.
Há necessidade de que se compreenda que o objetivo principal do Sínodo é encontrar novos caminhos para a evangelização na Amazônia, levando em conta a importância que tem a defesa dos pobres, sobretudo dos povos indígenas e, da ecologia integral que, partindo dos pobres, coloca no centro da sua atenção o meio ambiente, pois a Amazônia se destaca no mundo como a maior reserva ecológica, fundamental para a sobrevivência do nosso planeta.
Grande parte das polêmicas e falsas notícias veiculadas pela mídia querem atingir o magistério do Papa Francisco, o Bispo de Roma que propõe à Igreja desvencilhar-se da autorreferencialidade e assumir sua missão de servidora da humanidade, como já propunha São Paulo VI e São João Paulo II.
Mais do que nunca estejamos unidos a Francisco, Bispo de Roma e Sucessor de Pedro e com todos os bispos unidos a ele. A missão do papa é confirmar seus irmãos na caridade e conduzir a Igreja nas pegadas do seu Mestre. Este tem sido o testemunho dos últimos papas, e também do Papa Francisco que convida a Igreja à alegria do Evangelho, a defesa da Casa Comum (Laudato Sí) e a se tornar uma Igreja em saída.
Como cristãos católicos poderíamos repetir para nós, e para todos os que ignoram o testemunho do Papa Francisco: “Com o Papa, somos a Igreja fiel ao Evangelho e servidora da humanidade”!
Invoquemos Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, pedindo que Ela alcance para a assembleia especial dos Bispos para a Pan- Amazônia as graças e luzes do Espírito Santo, para que fiel ao Evangelho e unida ao papa torne-se no nosso tempo um sinal forte do Senhor Jesus que foi ungido pelo Espírito para “anunciar a Boa notícia aos pobres, para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos, e proclamar um ano aceito da parte do Senhor” (Lc 4,18s).
“Eu apoio o Sínodo. Eu apoio o Papa”.

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos

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