sábado, 20 de outubro de 2018

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Será possível uma docência ideologicamente neutra

Nos dias atuais está em alta a discussão quanto o posicionamento ideológico do professor e sua prática docente em sala de aula; discutem-se a influência daquele que ensina e media conhecimentos sobre o adolescente que está ali em busca do aprendizado. E nesses debates, é comum haver os argumentos mais inflamados de ambos os lados.
Será mesmo possível que o professor se desvencilhe de suas concepções de mundo, de sua visão política, de seus credos, de suas perspectivas sobre os fatos? Será mesmo possível um ensino totalmente alvo e livre de visões de mundo?
Na verdade, o ato de respirar é algo político, o abrir a boca, as expressões corporais, olhares; tudo que se fala, faz e pensa é permeado por ideologias e distintas perspectivas, que são mutáveis, como é mutável o ser humano, e se alteram conforme passa o tempo.
Uma educação “sem partido” da forma como tem sido defendido nos debates midiáticos e na internet não é possível; seria uma escola do partido do “sem partido”, uma escola que condena valores progressistas, mas aplaude uma ideia de que os valores tradicionais precisam de defesa.
Por fim, por outro lado, os docentes defendem apenas seus direitos de opinar, de ensinar, de explicar o mundo como é: múltiplo, diverso e plural, para que com isso, oaluno aprenda ao conhecer outras formas de “mundos” a tolerar e respeitar.

Leonardo Ferrari Silva, historiador formado pela Faculdade Barretos e docente nesta área na cidade de Catanduva.

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