quinta-feira, 18 de abril de 2019

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Pescador de homens

Nós estamos preocupados pelas coisas materiais. Esta preocupação nos impede de ter tempo para as coisas mais importantes como: a convivência familiar, a educação dos filhos, o comprimento dos nossos deveres religiosos, até o relacionamento com os amigos. Por outro lado, fomenta a nossa ambição pelas coisas materiais e pelo consumismo que tiram a paz da família e compromete a educação dos filhos; leva-nos a ser injustos e corruptos, deixando remorso em nossa consciência tirando a paz da família, e fazendo-nos responsáveis pela corrupção, pela fome, pela violência e pela morte que dominam o mundo.
A vontade de Deus é que as coisas sejam diferentes. Que nos preocupemos menos destas coisas materiais que nos escravizam e causam tanto sofrimento, e valorizemos mais as coisas espirituais que deixam paz em nossa consciência, fazem-nos formadores de homens e construtores de um mundo onde, pelo respeito nos direitos dos outros, a paz e a felicidade sejam uma realidade. Em todas as seitas religiosas do mundo se aprende a rezar, uma coisa que Deus não nos ensinou; mas não aprendemos as duas coisas que o Criador nos ordenou: cuidar, com carinho, de todas as coisas que havia criado para o bem-estar de todos, e respeitar o direito que todos têm de participar destas coisas.
Em que consiste ser homem? Poucas pessoas se farão esta pergunta. Se nós a fizéssemos, certamente a maioria diria: ser rico, ser poderoso, ter muitos diplomas, ou outras coisas materiais. Isto é para os homens, mas Deus criou o homem “a Sua imagem e semelhança” para que perpetue a Sua presença no mundo, conservando, com o seu trabalho, a natureza criada para o bem-estar de todos, e respeitando o direito que rodos têm de fazer uso de todas as coisas criadas. Por isso, Deus criou o mundo para todos e a todos deu a Sabedoria para cuidar dele.
A Palavra de Deus na liturgia do 5º Domingo do Tempo Comum, celebrado no dia 10,nos diz em que consiste a dignidade da pessoa humana. O profeta Isaías (6,1-8) afirma: “’Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, por causa do pecado’. Nisso, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz e tocou a minha boca, dizendo: ‘Assim que isto tocou os seus lábios desapareceu tua culpa e teu pecado está perdoado’. Ouvi a voz do Senhor que dizia: Quem enviarei? Quem irá por nós? Eu respondi: ‘Aqui estou, envia-me!’”. Assim, Deus nos revela que Ele nos chama e nos dá a sabedoria para cumprir a nossa missão. São Paulo (1Cor.15,1-11) confessa que não merece ser chamado apóstolo porque perseguiu a Igreja de Deus: “É pela graça de Deus que eu sou o que sou, e Sua graça para comigo não foi estéril”.
São Lucas (5,1-11) afirma que Jesus estava na margem do lago de Nazaré, e uma multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a sua palavra. Os pescadores estavam lavando as redes e subiu numa barca, que era de Simão. Quando acabou de falar disse a Simão: “Avança até águas mais profundas e lança as redes”. Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas em atenção a tua palavra vou lançar as redes”. Apanharam tamanha quantidade de peixes que precisaram pedir ajuda dos outros companheiros. Tiago e João, que eram sócios de Simão, ficaram espantados. Jesus disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. Esta é a missão de todos os membros da Igreja de Cristo. Nisto está a dignidade da pessoa humana e a salvação do mundo: ser pescador de homens, ensinar à pessoa a ser gente (filho de Deus).
Monsenhor AntonioSantcliments Torras
Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia

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