sábado, 20 de outubro de 2018

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PAÍS ESQUISITO

Bom Dia Barretos. Creio que nasci num país deveras esquisito, onde a população vai perdendo a fé no presente e a esperança no futuro.
As eleições se aproximam e as dúvidas em quem votar se transformam numa pergunta: vale a pena votar? Do que valerá eleger um presidente se ele se transformará num dependente do Legislativo. Qual esperança podemos ter de que a composição do Legislativo vai mudar?
Vejam o que ocorreu esta semana. Se preparando para o chamado recesso branco, já no apagar das luzes antes das eleições, os senhores deputados federais e senadores, pensando apenas em agradar setores empresariais e funcionários públicos, em busca de votos, aprovaram medidas, cujo impacto financeiro ultrapassará cem bilhões de reais nos próximos anos.
De nada adiantou, a equipe econômica apelar para que não cometessem esse desatino. Simplesmente, aumentaram despesas e cortaram receitas, justamente o inverso do que o país precisa.
Votaram até o perdão das multas aplicadas aos caminhoneiros durante a greve. Pasmem, graças a emenda apresentada por um deputado, que segundo consta, tem uma empresa transportadora e que foi multada.
O absurdo chegou a tal ponto, que o Senado votou texto que restabelece benefícios fiscais ao setor de refrigerantes, ao custo de um bilhão e oitocentos milhões de reais, benefícios esses que haviam sido cortados pelo senhor Presidente da República, através de medida provisória.
Enquanto isso, a Câmara votou o dito marco regulatório para o transporte rodoviário, que vai garantir nove bilhões de reais anuais em subsídios, e uma comissão mista do Congresso aprovou proposta que determina repasses anuais de trinta e nove bilhões de reais aos estados.
Se as propostas votadas no Congresso forem vetadas pelo Presidente, garantem, derruba-se o veto. De medida em medida vai se corroendo todo o trabalho de recuperação econômica do país, com os senhores parlamentares focados apenas nas eleições.
O mais trágico é que quem garante os votos para eleger tais parlamentares, é a classe mais humilde, aquela que saiu às ruas para apoiar a greve dos caminhoneiros e está sofrendo suas consequências.
Ainda agora, o dito Centrão formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade, querem indicar não apenas o vice na chapa do candidato com quem fizerem aliança, mas manterem os ministérios ocupados no Governo Temer e garantir a reeleição de Rodrigo Maia na presidência da Câmara. Só interesses pessoais.
Alguém acredita que algo vai mudar com as eleições? Realmente é um país esquisito. Enquanto presenciávamos tal desatino de nossos parlamentares, de outro lado fomos premiados com a guerra de liminares de “solta Lula, prende Lula”.
Bandidos presos pela Lava Jato são liberados alegando falta de provas, enquanto inocentes são condenados mesmo que as provas lhes sejam favoráveis. Quando o chamado Paulo Preto ia fazer delação premiada, logo o soltaram.
País esquisito o nosso! Em quem confiar? Por que votar? De que adianta? Os três pilares da democracia estão comprometidos. Me perdoem, o nosso não é um país esquisito, é esquisitíssimo. Tenham um feliz final de semana.
BOM DIA BARRETOS.

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