quarta-feira, 18 de setembro de 2019

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O sofrimento redentor

A vida espiritual também é permeada por securas, tempos de aridez, falta de gosto, solidão, desânimo. Nesses períodos, somos privados das consolações sensíveis e espirituais, e isso, mesmo que a gente não entenda, favorece nosso crescimento na vida de oração e na prática das virtudes.
Apesar de muitos esforços, de disciplina na vida espiritual, em determinados momentos, não sentimos gosto na oração. É como se Deus tivesse se esquecido de nós. A alma parece envolta numa espécie de torpor. É um tempo penoso, não se experimenta a alegria.
Mas também nesse tempo Deus trabalha em nós! Jesus mesmo disse: “Meu Pai continua trabalhando” (Jo 5,17). Deus trabalha sempre a nosso favor e, como já dizia o apóstolo Paulo, “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).
Esse tempo de secura nos ajuda a nos desprendermos de tudo o que não proclama o Senhorio de Jesus em nossas vidas, ensina-nos a buscar a Deus por aquilo que Ele é e não por aquilo que Ele pode nos oferecer. Ajuda-nos a viver o abandono em Deus.
Elizabete da Trindade, grande mística carmelita, dizia: “É preciso deixar tudo para abraçar aquele que é Tudo.”
As securas espirituais ajudam na conquista da humildade, nos fazem entender que tudo vem de Deus e em tudo dependemos Dele. Esse tempo penoso nos faz compreender que Ele é o Senhor dos dons e os distribui segundo a maneira que Lhe apraz. Não somos nós que devemos ditar as ordens para Deus, Ele é o Senhor, Ele é Deus, Ele é livre, e nós somos os Seus servos.
Assim, Deus nos purifica! É um sofrimento redentor e a partir dele aprendemos a servir a Deus mesmo sem gosto. Aprendemos que nossos olhos devem estar fixos Nele. Assim Deus fortalece a nossa fé, nos impele a não desistir na busca da prática do bem e do viver e ensina-nos o caminho da constância.
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

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