segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

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O infinito e ousado amor de Deus

Sempre é tempo de recordar e proclamar o infinito e incondicional amor de Deus por nós. Infinito porque é eterno, incondicional porque não nos trata como exigem as nossas faltas, mas gostaria de chamar a atenção para a ousadia de Deus.
Ousado porque quebra todas as “regras” da nossa limitada compreensão e sempre nos surpreende como o seu modo imprevisível de se manifestar. Deus não se permite enquadrar em nossos esquemas e, por isso, muitas vezes não somos suficientemente sensíveis para percebê-lo nas situações mais simples. Deus, sempre que aparece, surpreende.
O Natal de Jesus se aproxima e o que vemos é a mais expressiva manifestação da ousadia de Deus; de tão grande que é apequenou-se a ponto de caber numa simples manjedoura, esvaziou-se de sua imensidão para assumir a nossa imperfeita condição. “Quem como Deus? Ninguém como Deus!”.
O amor me explicou tudo, dizia São João Paulo II; só o amor é capaz de desvendar os mistérios mais profundos do coração de Deus, porque só o amor é a única categoria ilimitada e incompreensível aos olhos puramente humanos, por isso, a mais adequada definição de Deus – se é que Ele pode ser definido – é Deus é amor (1 Jo, 4, 8).
É, portanto, este ousado, infinito e incondicional amor que moveu Deus em direção a nós e também nos atrai em direção a Ele e é a nossa única e insubstituível missão nesta vida. Somos feitos do amor para amar. Acontece que as ilusões do mundo, do ser, do ter e do poder, acabaram ofuscando o verdadeiro e essencial valor e nos inseriu no caos atual, cuja principal explicação consiste na falta de amor, ao menos do verdadeiro amor.
Sem amor no coração abre-se um vasto e infinito vazio interior que riqueza, beleza ou poder algum é capaz de preencher; é o que vemos diariamente, “pessoas tão pobres, mas tão pobres que tudo que tem é apenas o dinheiro”. A miséria do mundo e razão de todas as outras, nada mais é do que a falta de amor, do verdadeiro amor, do absoluto amor, de Deus.
Por isso que as centelhas desse amor que ainda resistem entre nós soam como ousadia de Deus num mundo tão indiferente e egoísta, mas nos convidam a sermos ousados e também nós respondermos as mazelas do tempo presente com partículas diárias de amor em todos os seus desdobramentos mais práticos.
O ousado e infinito amor de Deus deve ser o nosso ousado projeto de vida. Colocando o amor na base de tudo em nossa vida, descobriremos o segredo da verdadeira felicidade e da tão desejada realização pessoal. Sejamos, portanto, ousados na prática do amor cristão e veremos que, ao menos o mundo à nossa volta, será mais agradável e feliz.
Pe. Fernando Felix Rabelo
Vigário paroquial da Paróquia São João Batista de Olímpia

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