quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

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O BRASIL NO PISA 2019

Não se trata apenas de culpar as gestões do PT pelo resultado do Brasil no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que classifica o Brasil entre os piores do mundo. Temos que reagir sendo propositivos. Apesar dos resultados desfavoráveis, o Brasil fica ainda à frente, na América Latina, da Argentina, da Colômbia e do Panamá. A China e Singapura alcançaram os melhores resultados. Os Estados Unidos está entre os quinze melhores. O problema dos péssimos índices em Educação no Brasil não pode ser visto apenas pelo viés ideológico. É uma questão técnica mesmo, de preparo, de investimento, de gestão, de motivação, de cultura. Infelizmente, não temos tido uma cultura que favoreça o empenho na Educação. Falta disciplina nos estudos, o que chamamos foco, faltam programas educacionais que não sejam apenas de fachada, mas que estejam imbuídos de decisão política, em todos os níveis. Falta investimentos na formação de quadros que tenham realmente competência técnica, em que o diploma não seja somente um quadro na parede, mas que os profissionais tenham conhecimento, de fato, nas áreas que atuam, e assim, possam alcançar os melhores postos na sociedade pelo mérito. Falta-nos a cultura da meritocracia, pois o que vemos, muitas vezes, com o famoso jeitinho brasileiro, são pessoas ocuparem altos postos não pela competência, mas pelo compadrio.
O que fez a China estar à frente, com os melhores resultados? É porque os chineses estão entendendo melhor do que ninguém o século 21, por isso, investiram pesado na educação de base e em tecnologia. Podemos dizer que os chineses sabem fazer bem duas coisas básicas para qualquer progresso: estudar e trabalhar. É essa cultura empreendedora que nos falta, cultura que leva os alunos a estudarem, com afinco, a lerem livros, a pesquisarem, a debaterem, a buscarem o conhecimento com seriedade, etc. É muito comum, por exemplo, em países europeus, os jovens falarem quatro, cinco ou seis idiomas. Aqui no Brasil, pouquíssimos são aqueles que dominam a língua pátria. Por aí vemos a distância que estamos dos demais países que estão hoje na ponta em termos de Educação.
Esperamos que o Ministério da Educação encare o problema com menos ideologização e mais abrangência do tempo em que vivemos dos desafios que temos a nossa frente, buscando fomentar uma cultura que propicie aliar conhecimento e tecnologia, sem tecnocracia. Mas tudo isso também voltado á promoção do ser humano como pessoa, com todas as suas potencialidades. Vejamos, no próximo ano, se o atual governo dará mesmo uma resposta concreta a esse desafio, ou ficará apenas na retórica. Os resultados do PISA mostram claramente que precisamos fazer da Educação uma prioridade em nosso País, para o bem de todos.

ValmorBolan é Doutor em
Sociologia. Professor da Unisa.

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