terça-feira, 19 de junho de 2018

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“Neurociência em foco” – Esclerose Múltipla:um caminho que a neurociência ainda percorre

A Esclerose Múltipla (EM) foi descoberta em 1868, pelo neurologista francês Jean Martin Charcot. É uma doença que ataca o Sistema Nervoso Central(SNC) e lesaa substância branca, também chamada de mielina.Esse processo de lesão da mielina é chamado de “desmielinização” e pode ocorrer em diversas áreas do SNC. A mielina reveste os neurônios e tem a função de acelerar a condução dos impulsos nervosos, e, por isso, a destruição dessa estrutura pode acarretar em diversas consequências.
Segundo estimativas da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, cerca de 35 mil brasileiros possuem a doença. O AtlasMundial da Esclerose Múltipla,realizado pela Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), mostra que essa condição é encontrada em todas as regiões do mundo e afeta aproximadamente 2,3 milhões de pessoas.O número de casos continua crescendo,mas a MSIF ressalta que não está claro se o aumento da prevalência da doença é devido às melhores condições de diagnostico ou um aumento no número de casos reportados.
A EM atinge com mais frequência os adultos jovens, brancos, do sexo feminino e que possuem entre 20 e 40 anos de idade. Para se identificar a EM é necessário um diagnostico clinico, por meio da anamnese e exames neurológicos que comprovem lesão no SNC.A evolução da doença ocorre gradualmente, mas ainda assim pode ser imprevisível dependendo das condições do paciente (estímulos recebidos e tratamento). A EM pode afetar o indivíduo de duas formas: 1) a forma remitente/recorrente, em que as reincidências são imprevisíveis e os indícios neurológicos não são permanentese 2) a forma progressiva,em que os sinais neurológicos são mais estruturados e podem comprometer as atividades motoras.
Alguns dos sintomas mais comuns dos portadores de EM são: fadiga, alterações na fala e deglutição, transtornos visuais, problemas de equilíbrio e coordenação, fraqueza dos músculos do braço e perna. Além das consequências físicas, o paciente com EM pode apresentardéficit de memória e mudança de humor.
Levando em consideração que a EM é uma doença degenerativa do SNC, com grande abrangência das consequências motoras, cognitivas e emocionais,é essencial, portanto,um tratamento multiprofissional, que envolva médicos, fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista, de acordo com a necessidade e os sintomas apresentadospor cada paciente.
Atualmente, é sabido que a EM é uma doença crônica, inflamatória e considerada autoimune. Entretanto, ainda não se conhece a causa e a cura.O tratamentoocorre por meio medicamentoso, como autilização de imunossupressores e imunomoduladores que agem para impedir novas lesões e reduzir a frequência de recaídas, diminuindo a capacidade de evolução da doença. É valido lembrar que mesmo com as limitações físicas é possível continuar a realizar as tarefas do cotidiano, relacionando-se com o meio e com a nova condição de vida. É importante ressaltar que a família e os amigos também possuem um papel importante no enfrentamento da EM, pois fornecem apoio ao paciente.
Por fim, deixamos claro que estudiosos em Neurociência continuam a realizar pesquisas que visam um melhor tratamento, assim como buscam a cura da doença. O caminho é longo para esses pesquisadores, mas progressos ocorrem a cada passo.

Jessica Letícia Garcia: Discente do Curso de Psicologia da Faculdade Barretos.
Mariana Ducatti: Psicóloga, Mestre em Ciências e Docente da Faculdade Barretos.
Everton Horiquini Barbosa: Fisioterapeuta, Doutor em Ciências e Docente da Faculdade Barretos.

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