quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

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Não basta ter razão

Razão é a capacidade da mente humana que permite chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. É um dos meios pelo qual o homem propõe razões ou explicações para causas e efeitos.
Impressionante o quanto perdemos tempo, energia, saúde e dinheiro para, simplesmente, ter razão; o quanto sofremos e fazemos sofrer, em troca do instantâneo prazer de ter razão. Em nome do “eu tenho razão” casais destroem o lar, pais abandonam filhos; filhos ignoram pais, amizades são destruídas, empresas vão à falência.
Tantas vezes a pauta é justa, merece e deve ser discutida, com o objetivo de superar o problema. Nesse sentido, a busca pelo consenso, orientada por critérios válidos e consistentes, faz-se necessária. O resultado ideal: vencemos! Ao contrário disso, boa parte das pessoas, senão a maioria, deixa a questão principal de lado, desvia-se do foco e, perdendo-se na fúria, mágoa, orgulho, poder e tantas outras causas de cegueira, abraça, como única solução, vencer pelo poder da razão, colocando em risco tudo o que foi construído à custa de esforços, sacrifícios, empenho e amor ao longo do tempo.
Em geral, o saldo é negativo. O senhor (a) da razão fica sozinho, abandonado, inclusive, por seus rebuscados argumentos matemáticos-filosóficos-políticos-pedagógícos-religiosos-econômicos. A voracidade é tamanha que, na intenção de tirar o pó, ele destrói a taça. Restam os cacos. E agora? Passará o resto da vida gritando, porque lhe custa muito chorar, aos quatro ventos: eu tenho razão!
Acolhi uma pessoa que, na efervescência da razão, jogou pelo ralo seu casamento; tempos depois expulsou os filhos de casa; nessas alturas já não tinha amigos; o golpe final foi ser expulso da empresa que ele mesmo fundara. Tudo isso em apenas dois anos. Esposo honesto, pai dedicado, profissional competente, em nome da razão, perdera as pessoas e coisas mais importantes de sua vida. Em profunda crise concluiu: “preferia estar errado e tê-los comigo, do que ter razão e estar sozinho”.
Preferimos ter razão do que ser feliz. Insistimos bravamente nos argumentos e perdemos as pessoas. Cabeças duras, lerdas, ranzinzas, imaturas e com tantas outras limitações, tão iguais às nossas, pessoas são insubstituíveis, pois muito mais que ocupar lugar em nossa mente, ocupam lugar em nosso coração.
O homem que perdera tudo está em processo de reconstrução. Com certeza conseguirá, pois aprendeu a lição: acertar é mais que simplesmente ter razão! Nem sempre quem tem razão está certo!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em
Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com

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