sábado, 20 de outubro de 2018

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Fake News: como combater?

Com a era digital mais presente na vida das pessoas, o crescimento no compartilhamento de conteúdo está mais ágil. Fica fácil encontrar uma pessoa que tenha recebido, pelas redes sociais, informações expostas através de textos, fotos, áudios ou vídeos. Nelas, alguém explica determinado acontecimento e, no final, pede para repassar à outras pessoas.
Com isso, o crescimento de boatos na internet é grande. Através de dado apresentado pela PBM (Pesquisa Brasileira de Mídia) em 2016, a maioria das pessoas dizem não acreditar em notícias veiculadas na internet.
Os dados da pesquisa, que avalia os hábitos de consumo de mídia da população brasileira, na qual 15.050 pessoas foram ouvidas, revelam que 84% dos brasileiros nunca confiam ou confiam poucas vezes nas informações divulgadas nas redes sociais. Ainda neste quesito, apenas 14% disseram confiar sempre ou muitas vezes. Quando a pergunta é sobre confiabilidade nas notícias que circulam na internet em geral, 78% responderam nunca confiar ou que confiam poucas vezes.
A partir deste resultado, levanta-se a questão: Por que os boatos continuam em alta, sendo compartilhados diariamente nas redes sociais? A resposta não está longe. A mesma pesquisa revela que 78% das pessoas que disseram nunca confiar ou que confiam poucas vezes, são analfabetos ou têm ensino fundamental incompleto. Portanto, essas pessoas, apesar de não confiarem, também não sabem da consequência de compartilhar com amigos ou no grupo da família uma notícia que recebeu.
Na maioria dos casos, pessoas que compartilham esse tipo de informação acreditam estar informando o próximo, sem notar sua contribuição para a disseminação de um boato. No entanto, a tarefa de analisar os fatos recebidos e verificar a veracidade das notícias surgidas, cabem ao jornalista, que tem função de informar o público com verdade e imparcialidade, checando cada detalhe dos fatos, antes de levá-la ao leitor.
Casos de boatos com grandes proporções são fáceis de encontrar. Em 2014, uma mulher foi linchada por grupo de pessoas na periferia do Guarujá, após ser confundida com retrato falado de suposta sequestradora de crianças. Isso acontece devido às milhares de informações difundidas todos os dias nas redes sociais, e que não são checadas.
Rodrigo Portari, jornalista em blog de notícias em Frutal-MG, diz que recebe diariamente, através de suas redes sociais, informações para serem publicadas. Contudo, o profissional ressalta que nem todas as mensagens são verdadeiras: “Não faz muito tempo que recebi a informação de que uma senhora estava sentada na sarjeta, na rodoviária da cidade, essa foto começou a circular. Quando analisei a imagem, percebi que o local não condizia com a rodoviária de Frutal. Mesmo assim, para tirar a dúvida, fui até o local e tive certeza que era mais um desses boatos.”
O jornalista relata ainda já ter recebido foto de sujeito supostamente acusado de estuprar um homossexual em Uberaba-MG. “O caso repercutiu em rede nacional. Após o recebimento desta informação, fiz contato com alguns policiais que não tinham acesso à informação”. Portari ressalta que procura, em todos os casos, tomar esses cuidados, principalmente quando envolve fotografias, nomes, e até mesmo retrato falado. “Se não tiver consciência, a gente acaba caindo nas informações falsas e passando para frente, algo inverídico”.
As pessoas nem sempre procuram checar as informações antes de passar adiante. Este é o caso da esteticista Eduarda Secolaro, 21, que diz receber diariamente, nos grupos de amigos e família, informações de alguma situação de risco: “No final da mensagem sempre é pedido para que a gente passe para o maior número possível de pessoas, mas não executo. Muitas vezes não acredito e, para falar a verdade, muitos textos eu nem leio, quando é áudio então, é difícil ouvir”.

A notícia é falsa ou não?
Como os boatos na internet estão atingindo cada vez mais as pessoas, a grande mídia está atenta as chamadas fake News. A Folha de São Paulo, em parceria com a Revista Piauí, criou a ‘Agência Lupa’, plataforma online desenvolvida para averiguar, com mais profundidade, notícias veiculadas na mídia. Em exemplo de eleições, o canal procura aprofundar-se nas falas dos candidatos e verificar se todas as informações por eles manifestadas, são 100% verdadeiras.
Já o G1, o portal de notícias da Globo, lançou o ‘É Fato ou Fake’, também com intuito de desmistificar fake News. No mesmo caminho, devido à baixa adesão de crianças em campanhas de vacinação, a OMS (Organização Mundial da Saúde), disponibilizou número de WhatsApp para a população enviar mensagem com dúvidas, ou com links de notícias falas, podendo assim, sanar dúvidas e desmentir notícias falsas.
Também na guerra contra este mal, o Governo Federal lançou o Fatos & Boatos no final de 2015. Nesta plataforma, são esclarecidos fatos relacionados à política, assunto muito fácil de criar mentiras. Em épocas eleitorais, a quantidade de boatos espalhados sobre Reforma da Previdência, Retorno da Ditadura Militar e Aposentadoria são muitos e, este portal pode ser necessário para sanar algumas dúvidas sobre fake News, sendo necessário, para acessar, apenas ter login e senha.

Como fazem as pessoas?
Com a pressa do dia-a-dia, fica difícil as pessoas seguirem essas regrinhas básicas para averiguar a veracidade de uma informação. A esteticista Eduarda Secolaro diz deparar-se frequentemente com propagandas em sua página do facebook sobre promoção de maquiagens e massagens: “Normalmente pedem para a gente compartilhar o anúncio, marcar mais amigos e que estaremos concorrendo à prêmios, mas nunca compartilho. Primeiro, porque não conheço e nem sigo a página. Segundo, porque o texto, na maioria das vezes, é péssimo, e encontro alguns erros de português, isso já é prova de anúncio falso”.
A administradora Fernanda Gabriel, 25, também recebe, quase todos os dias, através dos grupos do WhatsApp, correntes e informações falsas: “Um dia é falando de algumas marcas de batom que provocam câncer, dizendo ser recomendações de alguma médica especialista no assunto. No outro, um casal na região estaria sequestrando crianças. Eu nunca passo para frente essas correntes, mas, como no grupo sempre tem mais de dez pessoas, alguém sempre manda pra um amigo ou em outro grupo. Quando a informação é grave, entro na internet e vejo se existe alguma notícia em sites confiáveis sobre o assunto. Tomei essa atitude no caso do batom que causava câncer, não encontrando nada relacionado”.

Escrito por Marcos Pitta, jornalista. Formado em 2017 pelo Instituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro-Victório Cardassi.

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