terça-feira, 16 de outubro de 2018

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Estudo maranhense sobre relação mãe-filho

Pesquisadores do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão fizeram um interessante estudo sobre relação mãe-filho e que foi publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva. O estudo avaliou os fatores associtados a prejuízos na relação mãe-filho com 3.215 mães de crianças entre 15 e 36 meses de idade, residentes em São Luís, realizada de abril de 2011 a março de 2013.
Diversos fatores podem interferir na relação mãe-filho. Estudos sobre as diferentes características maternas e esta relação são escassos e avaliam principalmente mulheres com psicopatologias. Este estudo avaliou os prejuízos na relação mãe-filho considerando as características demográficas, socioeconômicas, da saúde reprodutiva e da saúde mental das mães bem como das condições do nascimento das crianças.
O desenvolvimento da relação entre a mãe e o bebê é de grande importância, especialmente ao longo dos primeiros anos de vida, em que a criança necessita de um relacionamento afetivo contínuo para se desenvolver de modo saudável. A existência de prejuízos nesta relação pode condicionar o desenvolvimento infantil gerando alterações nos níveis cognitivo, emocional e social.
A literatura retrata prejuízos na relação mãe-filho associados à menor renda e escolaridade (Ferreira e Lima e Popp et al.), quanto à capacidade de responder às necessidades da criança, apresentam maior dificuldade em reconhecer e responder aos sinais da criança, maior negatividade verbal, baixo calor afetivo, menor envolvimento e menos suporte às atividades da criança.
O tipo de parto também parece interferir na relação mãe-filho. As mães submetidas à cesariana, sobretudo quando não planejada, expressaram reação inicial menos positiva com o bebê, que se manteve por até seis semanas. Do mesmo modo acontece com os partos instrumentais, por serem mais estressantes.
Por outro lado, relações mais adequadas têm sido referidas em estudos cujos bebês foram amamentados ao seio e cujos pais são casados, pois pais solteiros ou que somente coabitam tendem a ter relações mais instáveis afetando a capacidade das mães de proporcionar um ambiente estimulante, particularmente logo após o nascimento de uma criança, quando estão emocionalmente vulneráveis. Segundo Klaus et al., a amamentação ao seio apresenta efeito tranquilizante sobre a mãe o que tende a aumentar seu elo com o bebê e deixá-la mais sensível.
Neste estudo, a prevalência de prejuízos na relação mãe-filho foi de 12,6% e esteve associada à menor escolaridade, não ter planejado a gravidez, ter consumido bebida alcóolica durante esta, estresse e depressão. Números maiores que em outros estudos realizados no Japão (7,7%), Alemanha (7,1%) e Bélgica (8,5%).
Os achados de Benzies et al. sugerem que filhos de mães com estresse devem receber acompanhamento adicional para reduzir o risco de atraso no desenvolvimento global. O mesmo ocorre com outro aspecto, a depressão, corroborado neste estudo.
Estes resultados apontam para a importância da atenção voltada para saúde mental das mulheres ao longo da assistência pré-natal, como prevenção de problemas psicológicos.

Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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